Mostrando postagens com marcador CCBB-RJ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CCBB-RJ. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cia. do Latão se apresenta no CCBB-RJ (Rio de Janeiro)


No Rio, grupo estreia espetáculo dividido em gêneros diferenciados

Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S.Paulo

Caixas e pacotes atravancam o caminho. Embrulhos no chão espalham-se por todos os cantos. Na sede da Companhia do Latão, em uma casa da Vila Madalena, o clima é de mudança. Terminado o ensaio, o grupo parte para embalar cenários e figurinos. Entrega-se aos últimos preparativos antes da partida para o Rio de Janeiro. É lá que o coletivo paulistano dirigido por Sérgio de Carvalho estreia, na quinta, seu espetáculo mais recente, Ópera dos Vivos. E é no CCBB carioca que eles devem permanecer por dois meses antes de voltar a São Paulo.

Não é a primeira vez que o Latão atravessa a ponte aérea para apresentar um novo trabalho. Foi assim também em 2006, quando fizeram a primeira temporada de O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, no mesmo Centro Cultural Banco do Brasil. O retorno agora tem a ver com a boa relação que conseguiram estabelecer com a instituição, explica o diretor. Mas também com as condições físicas ideais que encontraram para encenar Ópera dos Vivos, uma montagem de arcabouço grandioso, que contempla não uma, mas quatro peças. No Rio, eles terão duas salas, onde conseguiram criar ambientes distintos para receber o público em cada um desses módulos, que serão apresentados juntos e duram cerca de três horas e meia. "É nossa maior produção do ponto de vista logístico", lembra Carvalho. "Não é uma peça, mas um estudo teatral apresentado em quatro atos."

A nortear e amalgamar as diferentes partes de Ópera dos Vivos aparece de fundo uma discussão sobre a função do artista e o lugar da arte. E tudo isso é tratado não apenas na chave das artes cênicas, mas em linguagens que não são aquelas que esperamos encontrar em uma peça de teatro: abarcando códigos próprios da televisão, da música popular e do cinema. "Trata-se de uma reflexão sobre a arte, mas também sobre a forma artística, por isso queríamos também nos exercitar em outros formatos, como o audiovisual", comenta o diretor.

Se no primeiro módulo, a plateia se depara com os ensaios de uma peça sobre as ligas camponesas, na etapa seguinte verá um telão descer à frente da arquibancada e acompanhará um filme de 45 minutos, rodado pelo próprio grupo. Com ecos da filmografia de Glauber Rocha, especialmente do controverso Terra em Transe, a gravação dá conta da história do banqueiro de uma cidade fictícia chamada Cabidal, que se apaixona por uma atriz: ele se vê em meio a uma luta ideológica sem encontrar posição dentro dela - frequenta a esquerda, mas também dá dinheiro para a televisão que apoia um golpe militar. "Mas tudo aparece alegoricamente. Nada é tratado de forma realista", ressalva o diretor.

Clara menção ao golpe brasileiro de 1964, a tal alegoria contamina todos os atos do espetáculo. E, em três deles, a companhia lança mão de um recuo ao passado, justamente para rever o momento que antecedeu a subida dos militares ao poder. Esse deslocamento temporal, porém, não serve a um revisionismo de episódios que marcaram a época e escapa de qualquer leitura sentimental. É apenas uma forma de enxergar questões atuais com distanciamento, conceito brechtiano que costuma pautar o trabalho do grupo.

"As quatro peças são sobre a atualidade, mas voltam-se para o que havia como possibilidade de produção artística no período imediatamente anterior ao surgimento da indústria cultural", aponta Carvalho. Para ele, mais um motivo para localizar Ópera dos Vivos em outro momento histórico é o peso que os anos 1960 ainda exercem sobre o pensamento nacional. Apesar das mudanças, ainda estaríamos, de certa maneira, presos a conceitos e categorias transplantados desse período. Deslocados no tempo.

A lógica da televisão. No último ato do espetáculo, o espectador retorna aos dias atuais e a trama se detém sobre aquilo que seria a gravação de um programa de TV. O enredo serve de mote para a discussão de muito daquilo que o Latão observa desde 2007, quando se lançou em um extenso projeto de revisão de sua trajetória de dez anos. Foi aí que filmou peças de seu repertório e levou dois novos trabalhos, Senhorita L e Ensaio sobre a Crise, à televisão. Nesse contexto de aproximação com o audiovisual, o grupo se deparou com modelos de produção pautados pela lógica industrial, pouco afeitos ao improviso e ao imprevisto. "Arte tem a ver com relações de trabalho", sentencia o diretor. E, na sua visão, as relações de trabalho no campo cultural - inclusive no teatro - vão ficando cada vez mais mercantilizadas, alienadas. "Um câmera que não sabe o que está filmando não tem como contribuir com nada. Precisa aplicar aquilo que seria uma técnica neutra. Mas o fato é que nenhuma técnica é neutra. Toda ideologia artística se relaciona necessariamente com a forma como aquela expressão artística foi construída."

CRONOLOGIA

Um teatro político

1996

Ensaio sobre Danton

Espetáculo de Georg Büchner lança o grupo, que faz um cuidadoso trabalho de investigação do teatro épico

1999

O Nome do Sujeito

Primeira obra completamente autoral do grupo, inspira-se em livro de Gilberto Freyre

2000

Comédia do Trabalho

Peça sonda as relações de trabalho e as contradições do modo de produção capitalista

2002

Auto dos Bons Tratos

Retoma pesquisa do teatro dialético para olhar para o Brasil colonial, no século 16

2004

Equívocos Colecionados

Reflexão da companhia sobre o livro homônimo do dramaturgo alemão Heiner Müller

2006

Círculo de Giz Caucasiano

O Latão retorna à obra de Bertolt Brecht, nesta peça que é uma reflexão sobre a justiça e a questão da terra.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Recordar é Viver, com Sergio Brito, estreia, CCBB-Rio (Rio de Janeiro, RJ)


Sérgio Britto estreia 'Recordar é Viver', no Rio


Britto, aos 87 anos, e Suely Franco, aos 70, voltam a atuar juntos nos palcos cariocas

 Roberta Pennafort

RIO - Sérgio Pedro Corrêa de Britto já foi um rapaz tímido, que estudou Medicina só para satisfazer os pais e que demorou para confiar no próprio taco como ator. Suely Franco Mendes sempre foi despachada, brincava de ser atriz desde criança e, quatro décadas antes de encarnar a doce Dona Benta, fez babar muito marmanjo como uma das Certinhas do Lalau.

Guga Melgar/DivulgaçãoSérgio e Suely vivem marido e mulher na velhice às voltas com o azedume da vida em famíliaA amizade entre os dois atores começou em 1962, quando trabalharam juntos pela primeira vez na TV (no Grande Teatro Tupi) e no teatro (na estreia de O Beijo no Asfalto, escrita por Nelson Rodrigues especialmente para o Teatro dos Sete, da qual Sérgio fazia parte com Fernanda Montenegro e Fernando Torres, entre outros).

Quatro anos depois de Outono e Inverno, peça do autor sueco Lars Norén em que foram dirigidos por Eduardo Tolentino, o encontro se dá de novo, a partir desta quarta, 4, em Recordar É Viver, no palco do teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, ele aos 87 anos recém-celebrados, e ela, aos 70, e novamente com a direção do fundador do Grupo Tapa.

Mais uma vez, Sérgio Britto e Suely Franco vivem marido e mulher na velhice às voltas com o azedume que pode marcar a vida em família. Na segunda, eles conversaram com o Estado. Estão contentes, impactados pelo texto de estreia do jornalista Hélio Sussekind, trazido por Tolentino, e à vontade em meio ao restante do elenco: quatro atores com metade de sua idade.

"Estou mais uma vez com Suely como um casal que briga. Só que agora as brigas são mais diretas!", diz Sérgio. "A maneira de Tolentino dirigir é especial, ele trabalha junto com o gente", complementa Suely.

Para o ator, há 65 anos na ativa, é uma forma de se esvaziar de Beckett, depois da aplaudidíssima atuação em A Última Gravação de Krapp e Atos Sem Palavras 1. "A peça é apaixonante, o texto é danado. Tenho tanto prazer em fazer quanto tenho num Beckett. Eu chego igual, desprevenido, desarmado", explica.

"Depois de ganhar seis prêmios, um exagero, pensei: O que fazer? Beckett é o auge do teatro... Então desci um pouco. Estou numa situação confortável, de poder escolher o que fazer. Mas já lutei muito para não fazer besteira na minha carreira. Fiz o menor número possível."

A casa é de uma família de classe média carioca. Alberto e Ana têm três filhos adultos. O caçula, Henrique, dramaturgo pretensioso e fracassado, não trabalha, vive à custa dos pais, e preocupa a mãe por seu quadro depressivo. É um representante da chamada "geração canguru": tem 30 anos, mas não consegue saltar para fora e pavimentar o próprio caminho, talvez pelo excesso de amor que recebe em casa.

O pai é complacente. "Tem tempo!", pondera, quando cobram iniciativa do filho. A namorada de Henrique, Bruna, é vivida por Isabel Cavalcanti, atriz que dirigiu Sérgio fazendo Beckett e agora curte os ensaios com o companheiro de ofício.

O texto tem humor, mas é também melancólico, e emociona. "Não é um Strindberg, um Ibsen, é Brasil!", resume Sérgio. "Como é que alguém pode envelhecer tanto?", pergunta a personagem de Suely Franco, apontando a debilidade do marido. "A única coisa que fica mais bonita com o passar do tempo é o passado", ele diz numa briga, em resposta à obsessão da mulher por olhar slides antigos, de quando os filhos eram pequenos.

Há alguns anos, Sérgio reclamava que não havia papéis para atores de sua idade. Chegou a encomendar a Domingos Oliveira dois textos, que deram origem aos sucessos Sergio 80 (2006) e Jung e Eu (2003).

Hoje, vivendo um homem pelo menos 15 anos mais jovem do que ele, assiste aos colegas Fernanda Montenegro, Cleyde Yáconis e Leonardo Villar na novela Passione (o papel de Villar foi escrito por Silvio de Abreu para Sérgio, mas ele não cedeu à exigência da Globo para abandonar o programa na TV Cultura Arte com Sérgio Britto).

"Aprendi a procurar os papéis. Tudo que fiz de melhor no teatro, fui eu que produzi. Ano que vem, vou fazer O Canto do Cisne, do Chekhov, um velho ator que conversa com o camareiro."

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Tempo de Solidão, no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro, RJ)


TEMPO DE SOLIDÃO


Um drama sobre a separação. Mas também um espetáculo lúdico com tom onírico, quase um realismo fantástico. Assim define o diretor Ivan Sugahara a peça "Tempo de Solidão", de Márcia Zanellato, vencedora do projeto Seleção Brasil em Cena do CCBB que estréia dia 14 de maio no teatro 3 do centro cultural. A trama se passa em uma estação de trem, onde um casal e seu duplo (concepção criada pelo diretor) se depara com chegadas e partidas e a possibilidade de uma vida nova após a separação. O diretor de arte Ruy Cortez criou cenários e figurinos de uma outra época mas sem definição exata de tempo e espaço, como um sonho.

Personagens lúdicos como o mensageiro e o bilheteiro interagem com o casal que espera tomar um novo rumo na vida. “Gostei do texto desde a leitura dramatizada e durante o processo de construção do espetáculo fui me envolvendo com o cheiro nostálgico e a delicadeza lúdica que realça a força dramática da peça”, garante Sugahara.

Escrita em um momento difícil da vida – a separação - para a autora Márcia Zanellato, o maior prêmio é poder ver seu texto encenado. Ela que já trabalhou com Domingos de Oliveira, agora tem a possibilidade de ver sua própria peça em cartaz no CCBB.

Já o diretor Ivan Sugahara se diz feliz com o resultado e pela possibilidade de encenar o texto vencedor do projeto Seleção Brasil em Cena, depois de quatro anos participando do projeto. “Acho muito bacana conhecer jovens atores e novos autores e ajudar as pessoas a entrar no mercado de trabalho. Esse é o real objetivo do projeto Seleção Brasil em Cena”, conclui. O elenco é formando por jovens atores recém saídos das principais escolas de teatro da cidade. Eles participaram das leituras dramatizadas e foram selecionados através de testes com o diretor.



Ao longo dos quatro anos de realização, o Seleção Brasil em Cena, abriu espaço para diversos novos autores, colocou atores no mercado de trabalho e teve um de seus autores premiados recebendo indicação ao prêmio Shell de melhor autor, consolidando o projeto como um dos mais importantes da dramaturgia nacional da atualidade.

A história do Seleção Brasil em Cena revela dados curiosos. Dos 12 finalistas de 2006, quatro autores tiveram os direitos de seus textos comprados por diretores conceituados como Stella Miranda e Luis Carlos Maciel.

Em 2007, a estreante atriz Julia Marini participou dos testes para formar o elenco de A Tragédia de Ismene. Foi escolhida pelo diretor Moacir Chaves e teve atuação tão elogiada pela crítica que hoje não sai mais dos palcos.

Esteve no elenco da peça O Jardim das Cerejeiras, sob a direção do mesmo Moacir Chaves que a descobriu e revelou no Seleção Brasil em Cena, comprovando a ideia original do projeto de fomentar a inserção no mercado de trabalho.

Em 2008, a peça vencedora foi o musical É Samba na veia, é Candeia, que revelou o jovem dramaturgo Eduardo Rieche, vencedor do prêmio Shell deste ano. Candeia teve uma temporada de sucesso no CCBB e depois seguiu adiante em outros teatros, rendendo ao autor a primeira indicação ao prêmio Shell.

Em 2009, Tempo de Solidão foi a peça vencedora entre 162 textos de diversas partes do Brasil. Em 2010 as inscrições para o Seleção Brasil em Cena abrem em outubro e os 12 textos finalistas terão leituras dramatizadas em dezembro, sob a direção de nomes consagrados como Ivan Sugahara, Gilberto Gawronski, Moacir Chaves e Paulo de Moraes. As 3 melhores peças eleitas por júri popular ganham prêmios em dinheiro no valor de 5 mil, 3 mil e 1 mil reais respectivamente, além da montagem da peça vencedora em 2011.

Ficha técnica "Tempo de Solidão"

Texto Márcia Zanelatto

Direção Ivan Sugahara

Direção de Arte Ruy Cortez

Iluminação Renato Machado

Boneco e Direção de Manipulação Márcio Newlands

Trilha Sonora Ivan Sugahara

Diretora Assistente Flávia Naves

Fotos Cristiane Assunção

Assessoria de Imprensa Bruno Pacheco

Elenco:

Bruno Dubeux

Carol Garcia

Fábio Cardoso

Marília Misailirdis

Samuel Paes Luna

Victor Mattos

SERVIÇO:

Temporada de 15 de maio a 04 de julho de 2010

Horário: Quarta a Domingo às 19h30

Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro III

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Tel.: 3808-2020

Site: www.bb.com.br/cultura  

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia entrada)

Tempo de Duração: 50 minutos

Capacidade de Público: 80 lugares

Acessível para cadeirantes

Samuel Paes de Luna

DRT: 39555 - Ator/Dançarino

Fone: 21 8690 7012

E-mails: sampaluna@hotmail.com

sampaluna@gmail.com

terça-feira, 18 de maio de 2010

Teatro Infanto Juvenil no CCBB-RJ (Rio de Janeiro, RJ)



SERVIÇO:


Data: Dia 19 de maio, às 18h30

Local: CCBB RIO - Auditório - 4º andar

Rua Primeiro de Março, 66 - Centro

Recepção/Informações: Terça a domingo, das 10h às 21h

Telefone: (21) 3808-2007 (21) 3808-2007

Senhas distribuídas 1 hora antes do evento

Teatro_Contemporâneo_Infantojuvenil_para_Todas_as_Idades

 From: Ricardo_Schöpke : ricardoschopke@uol.com.br  

Caros amigos e companheiros de trabalho,

Será um prazer tê-los em nossa mesa redonda. Esperamos vocês lá!

Teatro Contemporâneo Infantojuvenil para Todas as Idades

Nomes importantes ligados ao teatro infantil participarão da mesa redonda que pretende discutir o momento desse teatro, suas mudanças, contribuições e a ampliação da sua atuação na cidade. Participantes: Karen Acioly (premiada diretora de teatro infantil), Ricardo Schöpke (ator, encenador, diretor artístico da Cia Boto-Vermelho e crítico de teatro infantil do Jornal do Brasil), Marcia Frederico (presidente do CBTIJ, auto ra e atriz de teatro infantil, terapeuta infantil), Alexandre Boccanera (produtor e diretor da peça infantojuvenil "As Coisas"), Miriam Virna, (atriz e diretora do espetáculo Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua") e Miguel Vellinho (criador da Cia. PeQuod de Teatro de Animação; fundador do grupo Sobrevento;professor da Escola de Belas Artes da UFRJ etc)".

SERVIÇO

Data: Dia 19 de maio, às 18h30

Local: Auditório - 4º andar
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro

Recepção/Informações: Terça a domingo, das 10h às 21h

Telefone: (21) 3808-2007 (21) 3808-2007Senhas distribuídas 1 hora antes do evento

Grande beijo,

Ricardo.