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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lançada biografia da atriz Lilian Lemmertz (São Paulo, SP)


Biografia resgata vida e obra da atriz Lilian Lemmertz


AE - Agência Estado

Um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, a atriz Lilian Lemmertz morreu precocemente, em 1986. Com apenas 48 anos de idade, Lilian estava sozinha em sua casa, no Rio. Resolvera tomar banho quando sofreu um enfarte do miocárdio. Foi encontrada pela filha, a atriz Julia Lemmertz, então com 23 anos, caída na banheira. Naquele início de junho, o Brasil vivia a euforia da Copa no México. E foi no dia 5, enquanto o País acompanhava a primeira fase da competição, que a atriz saiu de cena.

Em seu novo livro, "Lilian Lemmertz - Sem Rede de Proteção", da coleção Aplauso Especial, o jornalista Cleodon Coelho, 40 anos, atribui a esse cenário festivo o fato de a morte de Lilian ter tido pouca repercussão na época. E da memória de sua curta, porém intensa carreira ter se perdido com o passar dos anos. Ao seu lado nessa empreitada de reconstituir, de forma organizada e detalhada, a história de Lilian, ele contou com uma fiel e fundamental escudeira: Julia Lemmertz. Sem ela, o processo de pesquisa certamente teria sido muito mais árduo e com menos riqueza de informações. Ela indicou pessoas que poderiam ajudá-lo, lembrou de um verso de Luís de Camões que a mãe carregava na carteira e teve uma colaboração ainda mais definitiva. "Ela ia fazer uma reforma na casa dela e, no fundo do guarda-roupa, encontrou uma mala cheia de recortes de matérias, entrevistas e resenhas, das décadas de 60 e 70, que Lilian guardava", conta ele.

Gaúcha de Porto Alegre, Lilian Lemmertz não nasceu no seio de uma família de artistas, mas seus pais, caixeiros-viajantes, nunca se opuseram à ideia de ela tornar-se uma. Dona de um humor ácido e uma beleza clássica - acentuada pelos olhos azuis e pelo nariz arrebitado herdados do pai Hugart - ela não começou a vida profissional no palco. Essa boniteza toda, acrescida de uma elegância natural, a levou a se tornar, primeiro, uma das manequins mais conhecidas da capital gaúcha. Tinha então 18 anos e se virou musa de Rui Spohr, famoso costureiro do Rio Grande do Sul, que iniciou a carreira desenhando chapéus.

Não que ela tivesse corrido atrás dessa oportunidade. Foi descoberta na rua. "As coisas foram acontecendo na vida dela", diz o autor. O mesmo ocorreu na carreira de atriz. "Um dia, Antônio Abujamra, com quem eu fazia inglês, me apareceu com um convite para integrar o elenco do Teatro Universitário da União Estadual dos Estudantes (UEE), que iria montar À Margem da Vida. Recusei", confessou, certa vez, a própria Lilian. Em casa, ela comentou com a mãe, que, para sua surpresa, achou aquela uma ótima ideia.

"Existia preconceito com as duas profissões. Mas os pais dela não viam problema nenhum", ressalta Cleodon. A opinião da mãe foi fundamental. E Lilian estreou no palco com a peça de Tennessee Williams. Nessa nova fase da vida, a atriz conheceu Linneu Dias, que se tornaria seu marido e pai de Julia. No livro, Cleodon relembra ainda a ascensão de Lilian na cena cultural gaúcha e a importância de figuras do teatro na carreira dela, como o casal Walmor Chagas e Cacilda Becker, responsável pela mudança de Lilian, Linneu e Julia para São Paulo. Com a década de 60, vieram a consagração na peça "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", sua condição de musa do cinema de Walter Hugo Khouri e o início de seu namoro com a TV, que lhe renderia papeis marcantes, como a primeira Helena de Manoel Carlos, na novela "Baila Comigo", de 1981.

As informações são do Jornal da Tarde.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Imprensa Oficial lança biografia de Laura Cardoso em livro (São Paulo, SP)


Laura Cardoso: perfil da atriz sai em livro


Biografia da atriz é uma entre muitas que serão lançadas na Coleção Aplauso, na 34.ª Mostra

Patrícia Villalba - O Estado de S. Paulo

Quando encontra uma pessoa como Laura Cardoso, você só pode mesmo fazer um pensamento positivo para que chegue aos 83 anos como ela, tão empolgada com a vida e com o trabalho como atriz. Ela não tem dúvidas de que aquela coisa de sair escondida dos pais para atuar nas radionovelas da Rádio Cosmos de São Paulo deu certo, e a trajetória seguiu exitosa durante toda a vida, do rádio à TV em alta definição.

João Miguel Junior/AELaura ri ao contar como fugia de casa com a amiga Janete Clair para ir a bailes e festasEsse caminho foi revisto e narrado pela atriz à jornalista Júlia Laks, que lança nesta quinta, 28, o livro Laura Cardoso - Contadora de Histórias, mais um título da Coleção Aplauso da Imprensa Oficial. No evento, no Shopping Frei Caneca, serão lançadas outras biografias, aproveitando a 34ª Mostra Internacional de Cinema. "Saía do colégio de trancinha para a rádio e continuo na ativa com mais de 80 anos", diz ela, com indisfarçável orgulho à biógrafa.

Laura é, hoje, uma das atrizes mais requisitas da TV, que não lhe dá descanso - quando não está em personagem fixa, tratam de convidá-la para uma participação especial. Atualmente, ela é a Mariquita da novela das 6 da Globo, Araguaia, de Walther Negrão. Apenas na emissora, Laura participou de 24 novelas, a primeira delas, Brilhante, de Gilberto Braga, em 1981. "Hoje, depois de mais de 30 anos de TV Globo, torço para trabalhar com o Gilberto novamente", confessa ela.

Laura é uma das poucas profissionais do rádio que conseguiu se adaptar rapidamente à chegada da televisão, em 1950. Um dos momentos mais divertidos do livro é quando ela conta a aventura dos primeiros passos na TV e, mais adiante, sobre chegada revolucionária do videotape. "O advento modificou o nosso processo de trabalho, na medida em que nos permitiu parar a encenação para corrigir erros. E, se por um lado as pausas garantiram um produto final sem - ou com poucas - gafes, por outro, interrompiam a emoção do momento", detalha ela, para quem essa quebra da emoção, uma maneira de encenar tão diferente do teatro, foi a principal dificuldade dos atores no final dos anos 50.

Com voz grave e forte, perfeita para mulheres severas, como a Isaura de Mulheres de Areia (1993), Laura surpreende ao se mostrar uma pessoa de grande humor, que equilibra com leveza e coragem diante da vida. São muito engraçadas as histórias sobre como fugia de casa com a amiga Janete Clair, "para aproveitar os bailes, as festas". "Participamos até de um programa, onde dançávamos diante do auditório lotado as músicas que o Henrique Foréis Domingues, o Almirante, cantava", lembra ela, fazendo jus ao título do livro que é lançado hoje. "O ato de contar histórias é mesmo muito poderoso. Nessas horas, me sinto privilegiada por ser atriz. Tenho quase 70 anos de carreira e jamais escolheria outra atividade. Sou definitivamente uma pessoa do meu meio."

Coleção Aplauso - Shopping Frei Caneca. Rua Frei Caneca, 569, 4º andar, telefone 3472-2000. Hoje, a partir das 19 h.