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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Blackbird, com Nelson Baskerville, em cartaz no Viga (São Paulo, SP)


 
Lançada no Festival de Edimburgo em agosto de 2005 e prêmio Lawrence Oliver de melhor peça inédita de 2007, a montagem brasileira - que estreou em setembro no Teatro dos Parlapatões reúne no palco Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville, sob a direção de Alexandre Tenório. O texto é um fascinante, intenso e provocativo drama que trata das seqüelas e dos distúrbios emocionais causados pela brusca interrupção de um relacionamento.

Sob a direção de Alexandre Tenório, com os atores Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville no palco, BLACKBIRD continua em temporada agora na Sala Piscina do Viga Espaço Cênico, até 19 de dezembro, às sextas e sábados, 21h e domingos, 19h.
Numa sala abarrotada de lixo, usada como refeitório pelos funcionários de uma empresa, um homem e uma mulher se reencontram. A última vez que se viram foi há 20 anos, num quarto de hotel. Desde, então, tentam se reerguer, em vão. BLACKBIRD trata de como as atitudes do passado afetam o presente de forma irreversível, e questiona tudo o que sabemos sobre amor, culpa e moral.

Inspirada num caso que aconteceu nos Estados Unidos, a peça, contudo, não é nem de longe uma dramatização do real. Num intenso jogo de palavras de pouco mais de uma hora, os dois personagens se confrontam e dissecam o tabu que eles próprios viveram, mas cujo nome são incapazes de pronunciar, vivendo momentos de amor e ódio, nostalgia e rancor, sedução e desespero.

Depois de trabalhos na televisão, o ator Nelson Baskerville (que no teatro esteve com peça “Quando Nietzsche Chorou”) volta aos palcos paulistanos movido pela paixão despertada pelo texto de Harrower. Segundo ele, o texto é capaz de provocar uma discussão na qual não há lugar para julgamentos de valores, de certo ou errado. “O espectador fica num estado de tensão constante que oscila entre sensações antagônicas e inesperadas.”

O texto é de uma poesia ímpar. O jornal New York Times o apontou como “magistral, hipnótico, extraordinário, um milagre”. As palavras, quando não são interrompidas, ficam atravessadas na garganta. Na peça quase não há pontuação. “Para mim os pontos deixavam tudo muito rígido, muito conclusivo. A forma a que cheguei espelha melhor a incerteza destas pessoas, que estão sempre fazendo círculos em torno uma da outra. Também não conseguia escrever linhas que fossem até o fim do papel. Se você olha o texto parece um pouco com uma escultura. E, modéstia à parte, eu acho bonito”, diz Harrower.

“O resultado em cena é uma espécie de staccato, um estilo similar ao de David Mamet, em que a trama vai se revelando gradualmente, através de sugestões e das intenções dos atores”, conclui. Diante de tamanho sucesso, ele diz que será um desafio se superar. “Depois de BLACKBIRD vou ter que repensar sobre o que escrever, qual é o meu estilo, qual é a minha voz.”, diz o autor do texto David Harrower.

Segundo o diretor Alexandre Tenório, a dramaturgia do escocês David Harrower apresenta uma série de características inovadoras que vão além do próprio tema. “O aspecto formal do texto nos coloca diante de um novo tipo de realismo, muito mais próximo da linguagem falada, ao mesmo tempo em que valoriza a composição sonora de uma obra destinada ao palco.” A escrita em linhas quebradas, a constante ausência de pontuação, a economia de rubricas, pausas e silêncios desenham a respiração e dão aos intérpretes e à direção inúmeras opções de abordagem de expressão.

Para Cristina Cavalcanti, BLACKBIRD vem ao encontro do foco de interesse da Visceral Companhia, que tem pesquisado intensamente dramaturgia contemporânea do mundo todo, haja vistos seus últimos trabalhos: um russo, um norueguês e um inglês, todos escritos depois do ano 2000.

(texto dos próprios atores)

Sobre o autor

Nasceu em 1966 em Edimburgo. Sua primeira peça, "Faca nas Galinhas", estreou em 1995, numa produção do Bush Theatre e do Traverse, com direção de Philip Howard. Logo obteve sucesso nos mais importantes palcos europeus. "Nunca tinha ido ao teatro, não tinha dinheiro", declarou Harrower, que ganhava a vida lavando pratos. Escreveu: "Matem os Velhos, Torturem Suas Crias" (1998), "Presença" (2001), "Terra Negra" (2003), "A Recusa" (2006), "Blackbird" (2006), "365" (2008), "Cinzas de Sangue" (2009), "Começar de Novo" (2009) e "Caixa de Surpresas" (2009). Adaptou "A Crisálida", do romance de John Wyndham (1999), "Seis Personagens à Procura de um Autor', de Pirandello (2001), "Ivanov", de Tcheckov (2002) e "Büchner", de Woyzeck (2002), "Contos das Florestas de Viena", de Ödon vön Horváth (2003), "A Alma Boa de Setsuan", de Bertolt Brecht (2008), "Sweet Nothings", de Arthur Schnitzler (2009). Traduziu "Menina no Sofá", e "Púrpura", ambas de Jon Fosse.

Sobre Alexandre Tenório

Graduado em direção teatral pela Universidade do Rio de Janeiro em 1980, Alexandre Tenório tem dirigido principalmente textos contemporâneos, sendo os mais recentes A SERPENTE NO JARDIM, de Alan Ayckbourn, ATO ÚNICO, de Jane Bodie, ANNA WEISS, de Michael Cullen, PAISAGEM E SILÊNCIO, de Harold Pinter. Também dirigiu LENDO PINTER, ciclo de leituras de peças de Harold Pinter. O MONTA CARGAS, de Harold Pinter; GENTE FINA É A MESMA COISA / NÃO EXPLICA QUE COMPLICA, de Alan Ayckbourn; ENTRE QUATRO PAREDES (HUIS CLOS), de Sartre; NOITE DE GUERRA NO MUSEU DO PRADO, de Rafael Alberti; ANNA CHRISTIE, de Eugene O’Neill; Como tradutor, seus mais recentes trabalhos incluem AS PONTES DE MADISON de Robert James Waller (também adaptação), LOUCOS DE AMOR, de Sam Sheppard, O ZELADOR de Harold Pinter.

Para roteiro

BLACKBIRD – até 19 de dezembro , na Sala Piscina do VIGA Espaço Cênico. Autor – David Harrower. Direção – Alexandre Tenório. Elenco – Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville. Tradução - Alexandre Tenório. Censura – 16 anos. Duração – 70 minutos. Temporada – Sexta e Sábados às 21 horas, domingos às 19 horas. Ingressos – R$ 40,00 (meia-entrada para estudantes, classe artística e pessoas acima de 65 anos). Capacidade - 74 lugares. Em cartaz até 19 de dezembro.

VIGA ESPAÇO CÊNICO – Telefone (11) 3801 1843 - Rua Capote Valente, 1323 - CEP: 05409-003 (entre a rua Heitor Penteado e a Amália de Noronha). Próximo ao metrô Sumaré

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Blackbird, com Nelson Baskerville, em cartaz no Viga (São Paulo, SP)

Nelson Baskerville e Cristina Cavalcanti

Espetáculo de autor escocês coloca espectador dentro da adrenalina explosiva das personagens


Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com )

Impossível desviar a atenção do flamejante jogo de atores que o espetáculo Blackbird, do autor escocês David Harrower, coloca no centro do palco do Espaço dos Parlapatões. As duas personagens, magistralmente interpretadas por Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville, tem potencia explosiva e, graças à vigorosa direção de Alexandre Tenório, dinâmica pulsante, capaz de se infiltrar no espectador.

Não é possível revelar muito do enredo, pois é preciso preservar as incontáveis surpresas que Blackbird nos apresenta no curso de seu desenvolvimento.

À grosso modo, podemos dizer que o enredo da peça é o acerto de contas entre um casal que viveu um amor proibido no passado. Entretanto a trama fica bem distante dos clichês comuns das peças que se valem da discussão da relação de um casal.

Aberta a fenda purulenta do passado, o embate entre as personagens exige a entrega visceral em suas atuações. Com bisturi preciso, Alexandre Tenório conduziu os atores pela senda do hiperrealismo, caminho exigido pelo texto.

Toda a estrutura da peça – luz, cenário,figurino – segue, coerente, a linha mimética com marcações delicadas que parecem ausentes o que torna a performance ainda mais pulsante.

BLACKBIRD - Até 24 de outubro. Autor – David Harrower. Direção – Alexandre Tenório. Elenco – Nelson Baskerville e Cristina Cavalcanti. Tradução: Alexandre Tenório. Censura – 12 anos. Duração – 70 minutos. Espaço dos Parlapatões.Temporada – Sábados ás 21:00 horas, domingos ás 20:00 horas. Ingressos – R$ 30,00 (meia entrada para estudantes, classe artística e pessoas acima de 65 anos) .

terça-feira, 6 de julho de 2010

duas peças com a atriz Bia Meinberg, no Viga e Satyros 2 (São Paulo, SP)

Bia Meinberg

OI GALERA! TUDO BEM?!


ESTOU EM CARTAZ EM 2 ESPETÁCULOS AQUI EM SP:

R.E.M NO SATYROS 2 E O PRIMO BASILIO NO ESPAÇO CÊNICO VIGA!

DÊEM UMA OLHADA E APAREÇAM POR LÁ!

BEIJÃO

BIA

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Núcleo Experimental dos Satyros apresenta


R.E.M.

Inspirado na obra O Sonho, de August Strindberg, grupo dirigido por

Luiz Valcazaras

estreou temporada em 26 de junho no Espaço dos Satyros 2

Em um sonho, tudo pode acontecer. Tempo e espaço não existem. O texto O Sonho (1901), do sueco August Strindberg, escrito em 1901, foi um dos primeiros a trazer para o teatro o universo fragmentado e fantástico dos sonhos. A dramaturgia do autor baseia o espetáculo R.E.M (rapid eye movement), com o Núcleo Experimental dos Satyros, dirigido por Luiz Valcazaras. Na peça, a deusa hindu Agnes desce à Terra para conhecer os homens e a vida. Nessa tortuosa trajetória, ela vive como ser humano e se depara com figuras que transformam seus pensamentos e seu próprio caminho.

Não é a primeira vez que o diretor aborda os mistérios da mente humana em suas encenações. Em 2000, Valcazaras levou aos palcos Anjo Duro, sobre o universo imagético da psiquiatra Nise da Silveira. Interpretado por Berta Zemel, que recebeu o prêmio de melhor atriz pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), o espetáculo ficou três anos em cartaz e participou dos principais festivais de artes cênicas do país.

Assim como em O Sonho, R.E.M. expõe as dores e as incertezas do ser humano. Na virada do século XIX, Strindberg questiona o sentido da vida e utiliza suas próprias experiências, entre elas os conflitos amorosos, como base para a dramaturgia.

“Montar a peça O Sonho sempre foi um grande desafio para todo o artista. Encarei essa missão em parceria com os atores e fiz uma releitura para criar o espetáculo R.E.M”, conta Valcazaras, também fundador do N.I.Te. (Núcleo de Investigação Teatral), que pesquisa o ator como contador de imagens. Para ele, a contemporaneidade é um dos aspectos de destaque desta obra de Strindberg. “O texto traz uma grande reflexão sobre o modo de sentir dos seres humanos e ainda discute a alma dos artistas nos dias de hoje”, completa o diretor.

Ficha técnica

Direção: Luiz Valcazaras

Assistente de direção: Joana Pegorari

Elenco: Antonio Neves, Bia Meinberg, Clara Laurentiis, Carmen Minhoto, Fabiana Moutinho, Felipe Palmer, Julia Ornelas, Katia Calsavara, Lillian Sganzerla, Nathaly Matsuda, Raissa Capasso, Renata Bortoleto, Rogério Lucas, Théo de Paula e Thiago Spektror.

Dramaturgia: Luiz Valcazaras. Apoio de Dramaturgia (Deuses): Renata Bortoleto. Cenografia: Satyros II. Trilha Sonora: L.V. Iluminação: L.V. Programação visual: Ana Lucca

Onde: Espaço dos Satyros Dois – Praça Franklin Roosevelt, 134. Sábados e domingos, às 18h30. Quanto: R$ 10,00; R$ 5,00 (estudantes, classe artística e terceira idade); R$ 1,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt). Lotação: 20 pessoas. Duração: 60 minutos. Classificação: 16 anos. Até 1/8.

August Strindberg (1849-1912): Figura emblemática do teatro escandinavo, ao lado de Henrik Ibsen e Hans Christian Andersen, o sueco escreveu peças como Camaradas (1886), Pai (1887), Senhorita Júlia (1888), A Sonata dos Espectros (1907), O Pelicano (1907), entre outras.

Luiz Valcazaras, nascido em Itapeva, interior de São Paulo, é diretor e autor teatral. Dirigiu, entre outras peças, Abre as Asas Sobre Nós (2006), Dança Lenta no Local do Crime (2005), Anjo Duro (2000) e Assovio (2007).

Informações para a imprensa:

Joana Pegorari: 11 9790-3324

joanapegorari@yahoo.com.br

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O Primo Basílio

http://www.viga.art.br/profoto227.html

A Cia. Éter apresenta o espetáculo “O Primo Basilio”, adaptação da obra de Eça de Queiroz, clássico pontual do realismo português.

Nesta montagem, o diretor e responsável pela dramaturgia, Mario Spatziani, prezou a crítica intrínseca à obra do autor, valorizada através dos simbolos, da estrutura e da interpretação em detrimento dos aspectos românticos e folhetinescos que costumam ser ressaltados.

As questões atemporais presentes no romance fazem da montagem um atual e eterno panorama das hipocrisias sociais.

Ficha Técnica

Direção: Mario Spatziani

Produção: Fernanda Corrêa Gürtler

Direção Musical: Carlos SanMartim

Iluminação: Bruna Walleska

Arte Gráfica: Fernanda Corrêa Gürtler e Ieda Beraldo

Elenco

Luísa/ Tia Vitória: Elle Henriques

Jorge / Castro: Alexandre Lima e Rafael Granja

Basílio / Conselheiro Acácio: Mario Spatziani

Juliana/ Mariana: Priscila Queiroz

Joana: Carolina Simões

Leopoldina/ Dona Felicidade: Bia Meinberg

Julião: Felipe Palmer

Sebastião: Vinícius Garcia

Serviço

Temporada: de 01 a 30 de julho de 2010

Horários: quintas e sextas-feiras às 21hs

Censura: 14 anos

Ingressos: R$ 20,00

Gênero: drama

Duração: 90 minutos

Sala Principal

74 lugares

Telefone para reservas: (11) 94421487 / (19) 91603429

Viga Espaço Cênico

Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo/SP

Próximo ao metrô Sumaré

Telefone: (11) 3801.1843

terça-feira, 8 de junho de 2010

Estreia FIM DA LINHA, no Viga Espaço Cênico (São Paulo, SP)


Luísa está em busca de sua identidade. O medo de tomar decisões erradas e a culpa por ter pensamentos próprios que vão contra os interesses da sociedade, aliados aos seus questionamentos, a impulsionam rumo a uma investigação que faz com que seus sentidos sejam aguçados. Esse conflito a leva a um caminho sem volta. A confusão converte suas certezas em simples perspectivas e, enquanto é submergida por pensamentos desconexos, Luísa se depara com um passado absolutamente distante do construído em sua mente e parte em busca de uma resposta.


Ficha Técnica

Autora: Alessandra Vitanis

Direção: Lívia Simardi

Produção: Bruna Walleska

Trilha Sonora Original: Hélio Santos

Cenografia: Grupo Próprio

Figurinos: Juliana de Mario Porto e Lívia Simardi

Iluminação: Eduardo Gonzaga

Fotos: Henrique Bittencourt

Elenco

Alessandra Vitanis

Alexandre Lima

Bruna Walleska

Cleber Galo

Sandra Vilchez

Tainah Brandão

Serviço

Temporada: 03 a 25 de junho

Horário: quintas e sextas às 21hs

Censura: 14 anos

Ingresso: R$ 20,00 inteira Gênero: Drama

Duração: 60 minutos

Sala Principal

74 lugares

Telefone para reservas: (11) 8824.2939

Viga Espaço Cênico

Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo/SP

Próximo ao metrô Sumaré

Telefone: (11) 3801.1843

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fim da Linha, espetáculo no Viga Espaço Cênico (São Paulo, SP)

clique na imagem para ler melhor


O meu projeto é um espetáculo teatral adulto - Fim da Linha - que ficará em cartaz de 03 a 25 de junho, quintas e sextas-feiras, às 21 h, no Viga espaço cênico. Seguem abaixo as informações.


Aguardo retorno.

Grata,

Alessandra Vitanis
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Fim da Linha

Luísa está em busca de sua identidade. O medo de tomar decisões erradas e a culpa por ter pensamentos próprios que vão contra os interesses da sociedade, aliados aos seus questionamentos, a impulsionam rumo a uma investigação que faz com que seus sentidos sejam aguçados. Esse conflito a leva a um caminho sem volta. A confusão converte suas certezas em simples perspectivas e, enquanto é submergida por pensamentos desconexos, Luísa se depara com um passado absolutamente distante do construído em sua mente e parte em busca de uma resposta.

Ficha Técnica

Autora: Alessandra Vitanis

Direção: Lívia Simardi

Produção: Bruna Walleska

Trilha Sonora Original: Hélio Santos

Cenografia: Grupo Próprio

Figurinos: Juliana de Mario Porto e Lívia Simardi

Iluminação: Eduardo Gonzaga

Fotos: Henrique Bittencourt

Elenco

Alessandra Vitanis

Alexandre Lima

Bruna Walleska

Cleber Galo

Sandra Vilchez

Tainah Brandão

Serviço

Temporada: 03 a 25 de junho

Horário: quintas e sextas às 21hs

Censura: 14 anos

Ingresso: R$ 20,00 inteira Gênero: Drama

Duração: 60 minutos

Sala Principal

74 lugares

Telefone para reservas: (11) 8824.2939

Viga Espaço Cênico

Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo/SP

Próximo ao metrô Sumaré

Telefone: (11) 3801.1843

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cartas a Um Jovem Poeta, Rilke no Viga Espaço Cênico (São Paulo, SP)


Cartas de um profundo olhar


Ruy Jobim Neto, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com )

“Procure o fundo das coisas: ali a ironia nunca chega”, disse em determinado momento o escritor austro-húngaro Rainer Maria Rilke, em uma de suas cartas ao jovem poeta Franz Kappus, com o conhecimento consciente e doloroso das dúvidas do novato, com quem se correspondia, uma vez que Rilke, nascido em Praga, é considerado pela crítica e pelos fãs como o maior poeta a escrever em língua alemã.

O trecho pertence a Cartas a um Jovem Poeta, um exemplar raro e belo de um teatro epistolar, cujo processo começou em janeiro de 2008, e cuja montagem chega ao Espaço Viga depois de uma temporada no SESC Avenida Paulista, antes da reforma do prédio.

A montagem é um trunfo triplo: da direção sensível de Claudio Cabral, da produção detalhista de Domingas Person e da arte maior do ator e co-diretor Ivo Müller, que interpreta Rilke no palco. Simplesmente brilhante.

A sensibilidade do público é colocada à flor da pele. Como arte teatral, as cartas formam um mosaico de discussões, pensamentos, lembranças e dores lancinantes da alma que Rilke nos deságua de forma magistral. As cartas foram publicadas pelo próprio correspondente, Franz Kappus, três anos após a morte de Rilke, mas o espetáculo não fica apenas nessa coleção de missivas ao novato.

Além do próprio Kappus, os pais do escritor e a amante e escritora russa Lou Andreas Salomé (que também foi amante de Freud, Nietzsche e Rodin) estão colocados em cena, bem como cartas a todos eles, pulsando nas idéias de Rilke.

O amor, a criação poética, a solidão, o contato com a natureza e a necessidade gritante de auto-conhecimento fazem da interpretação de Ivo Müller o perfeito veículo.

A técnica absoluta do ator, unida à forte marcação de cena, aos figurinos de Domingas, ao cenário de janelas vazadas, baús e livros, aos instantes delineados pela luz (do experiente Davi de Brito e de Vânia Jaconis) e à música de Gustav Mahler – conterrâneo de Rilke -, consagram Cartas a Um Jovem Poeta como um alinhamento de elementos cênicos eficientes e tocantes.

Mahler dá uma contribuição à parte. É o adagietto da 5ª. Sinfonia do compositor, a mesma utilizada por Luchinno Visconti em Morte em Veneza (diga-se de passagem, por indicação do próprio autor do livro, Thomas Mann), que nos entrega agora Rainer Maria Rilke a toda a sua busca, sua via dolorosa dos sentimentos internos, como os próprios textos colocados na voz do intérprete. O adagietto de Mahler praticamente dança com as cartas de Rilke.

Rainer Maria Rilke viveu entre 1875 e 1926, portanto viveu a passagem do século 19 para o século 20, um momento tortuoso para a Humanidade. Ele atravessou essa passagem do século como muitos outros de sua geração (leia-se Mahler, Picasso, Freud, Jung, Nietzsche, Stravinsky, Górki, Tchekhov, Einstein, Diaghilev, Ravel, Debussy, Satie, H.G. Welles, Rodin e toda uma constelação de artistas e intelectuais de todos os campos da criação humana) e acabou por se tornar uma espécie de contraponto a um martírio civilizatório.

Rilke assistiu à franca decadência do perigoso jogo político e do poderio das metrópoles coloniais européias, o que detonou, em 1914, a 1ª Guerra Mundial. Dessa forma, ele e sua poesia compuseram uma flor no meio do asfalto, um brilho de luz em meio às trevas da civilização. Uma luz que doía, que se contorcia, como nesses versos (de O Torso Arcaico de Apolo): “E nem explodiria para além de todas as fronteiras / Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar / Que não te mire: precisas mudar de vida.”

Fica na lembrança o espaço cênico que deixa suas arestas abertas, ou melhor, completo pela poesia, de baús e dores, de amores e a criação da palavra, tão rica e cara, que a encenação vigorosa e intensa dividida pela sensibilidade de Claudio Cabral e Ivo Müller traz à luz de nossas mentes. O texto do poeta austro-húngaro é muito atual.

Como platéia, a gente se reconhece, enquanto partícipes de um mundo em absoluta decadência, e a nítida sensação de que precisamos de muitos Rilkes.

São vários os textos utilizados na montagem, compondo um Rilke múltiplo e verdadeiramente amplo, pulsante. Por isso, Cartas a Um Jovem Poeta, como espetáculo, é um mundo onde a interpretação do ator compartilha com a platéia presente a visão do poeta e procura, de forma irresistível, como o próprio Rilke, o fundo das coisas, aquelas a que nem a ironia, nem a falta de sentido conseguem chegar, felizmente. O fundo das coisas que nos é tão caro, em nossos dias.

Serviço

CARTAS A UM JOVEM POETA

Texto: Rainer Maria Rilke

Adaptação e Interpretação: Ivo Müller

Direção: Claudio Cabral e Ivo Müller / Supervisão: Arieta Corrêa

Iluminação: Davi de Brito e Vânia Jaconis

Figurino: Domingas Person

Música: Gustav Mahler

Produção: Domingas Person e Ivo Müller

De 31/03 a 29/04, quarta e quinta-feira, 20h

Viga Espaço Cênico, R. Capote Valente, 1323 (Metrô Sumaré) / Tel: (11) 3801-1843

Site: http://www.viga.art.br/  e http://www.cartasaumjovempoeta.com.br/