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segunda-feira, 28 de março de 2011

Daniel Radcliffe, o Harry Potter, canta e dança na Broadway (New York. EUA)

Daniel Radcliffe em cena na Broadway

Ator de Harry Potter estreia musical da Broadway

Daniel Radcliffe encarna jovem ambicioso em 'How to Succeed in Business Without Really Trying'.

O ator Daniel Radcliffe estreou numa versão do musical How to Suceed in Business Without Really Trying, no teatro Al Hirschfeld, na Broadway, em Nova York.

Na nova versão do espetáculo cinquentenário, Radcliffe vive o ambicioso J. Pierrepoint Finch. O ator de Harry Potter já tinha atuado na Broadway com a peça britância Equus, mas o novo papel é mais arriscado.

Além de cantar e dançar, o britânico tem que atuar com sotaque americano.

"Pessoalmente, acho muito mais interessante fazer algo que tome um longo tempo de preparação. Me preparei muito para cantar e dançar e é muito mais divertido enfrentar o desafio, em vez de pegar o caminho mais fácil", disse.

Radcliffe afirma que se preparou muito para cantar e dançar na peça

O crítico de teatro nova-iorquino mais influente não ficou muito impressionado com a atuação, mas não faltaram elogios, inclusive de celebridades.

"Foi uma performance muito boa e achei que ele convence como personagem. Quando o ator é bom, é bom", disse Liza Minelli.

O público mundial viu Radcliffe crescer nas telonas como Harry Potter, mas a série cinematográfica do mago-mirim chega ao seu último episódio em julho.

Por isso, alguns se perguntam se a investida em musicais não faria parte de um plano de carreira.

"Só quero continuar trabalhando e não me preocupa com a imagem que o público tem de mim. A única forma de reagir às pessoas que me veem como Harry é continuar trabalhando em coisas assim, ou seja, não é nenhum grande plano, mas um trabalho de cada vez."

Nessa nova fase da vida, Radcliffe vai fazer oito apresentações por semana da peça, até o início de 2012.

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Bilheterias da Broadway fizeram bonito em 2010 (Nova York, EUA)


Arrecadação e público da Broadway crescem em 2010


DA REUTERS, EM NOVA YORK

Grandes musicais voltados para famílias e turistas, como "Wicked", "O Rei Leão" e "A Família Addams", ajudaram a Broadway a aumentar sua receita bruta em 2010.

Os 40 maiores teatros atingiram um total de US$ 1,037 bilhão, em comparação com US$ 1,004 bilhão em 2009, segundo dados divulgados na terça-feira (4) pela The Broadway League, que representa produtores e donos de teatro.

Mesmo que vários espetáculos tenham encerrado temporadas no fim do ano com algumas dificuldades para vender ingressos, os assentos mais caros, que saem por até US$ 300, ajudaram a aumentar a receita da Broadway nos últimos anos.

O número dos expectadores também aumentou em 2010, para 12,11 milhões, em relação aos 11,88 milhões em 2009, disse o grupo.

A semana do Natal e Ano-Novo, tradicionalmente uma das semanas mais movimentadas e mais rentáveis da Broadway, ajudou a impulsionar as vendas, apesar da neve intensa em Manhattan.

"Wicked", por exemplo, quebrou o recorde de espetáculo de maior bilheteria numa única semana na história da Broadway, arrecadando US$ 2,22 milhões para oito apresentações.

Outros espetáculos também se destacaram. "O Rei Leão" arrecadou US$ 1,9 milhão e "A Família Addams" continuou a desafiar a reação negativa da crítica, arrecadando US$ 1,4 milhão.

O musical "Homem-Aranha", que por conta de ferimentos de seu elenco sofreu atrasos de estreia, arrecadou US$ 1,88 milhão durante a semana.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Texto de Nelson de Sá sobre O Mercador de Veneza (Nova York, EUA)


Publicado dia 29/12/2010 no FolhaOnLine


The Merchant of Venice

Escrito por Nelson de Sá

No topo de todas as listas de fim de ano nos jornais da cidade, "The Merchant of Venice" tem só mais duas semanas em cartaz em Nova York. Começou no Shakespeare Festival, no Central Park, no verão, e voltou para uns poucos meses no Broadhurst, na Broadway.

A razão maior é Al Pacino como Shylock. O judeu que já foi encenado pelos nazistas para justificar o anti-semitismo e que já foi tratado como vítima em muita produção americana e inglesa, inclusive uma com Dustin Hoffman há duas décadas, surge mais complexo, nem bom nem mau, e principalmente mais vigoroso, agressivo em defesa própria _como eu, pelo menos, jamais vi.

Nada de simpatia fácil, nenhum sinal de clichê cômico: o Shylock de Pacino é um bate-estaca de inteligência e prontidão física e emocional, que não cede nem quando é acuado e humilhado.

Cada cena de vitória ou derrota sua é encenada com o peso de uma tragédia ímpar pelo diretor Daniel Sullivan, que não deixa escapar nem sequer os silêncios da peça _e que está na rota para levar o prêmio Tony tanto quanto o protagonista. (Pacino, segundo o "Playbill", já venceu duas vezes, nenhum por Shakespeare.)

A montagem transporta a cena para uma bolsa mercantil e acentua o vínculo entre Shakespeare e o nascente capitalismo mercantil _a globalização. O mercador Antonio (Byron Jennings) tem investimentos da África às Américas, mas está sem dinheiro para ajudar um amigo e apela ao empréstimo de Shylock, a quem antes havia humilhado. Sua dívida leva à "comédia trágica".

Nada é cortado das passagens escancaradamente preconceituosas de Shakespeare contra o financiador judeu, como aquela em que ele dá mais valor a seu dinheiro do que à própria filha.

A diferença é que a montagem explora ao extremo também as passagens preconceituosas contra seus adversários, a começar de Antonio e Bassanio (David Harbour) e seus amigos, apresentados como fúteis, interessados tão somente em dinheiro ou ascensão social _e, no caso do mercador, como homossexual que age impensadamente por amor.

No fim da apresentação de quase três horas, nada resta do roteiro romântico, que envolve Bassanio e Portia. E a mudança por que passa esta última, de uma jovem herdeira à espera de seu casamento, cercada por cômicos pretendentes, para uma juíza inteligente e quase cínica, sobretudo diante daquele que julgava amar, se revela o coração da peça.

Nada de Shylock ou Antonio: esta é a "comédia trágica" de Portia, representada por uma Lily Rabe de quem eu jamais tinha ouvido falar e que rouba a cena de Pacino em um confronto de julgamento que deve ser lembrado por muito tempo _e que, pela primeira vez para mim, fez sentido, sem inconsistências lógicas.

Em sua metamorfose, da romântica jovial à mulher desesperançada e fatalista do final, o que não muda em Portia é a sagacidade, o "wit", que Lily Rabe mescla integralmente com as outras qualidades da personagem em transformação. É uma das melhores interpretações que já vi de Shakespeare, comparável à legendária Rosalind de Adrian Lester, em "As You Like It".

PS - O "Mercador" é produção do Public Theater, agora sob direção de Oskar Eustis, o homem que descobriu "Angels in America" há duas décadas, ainda na Califórnia, e que promete o novo texto de Tony Kushner para março. O teatro "público" parece reviver seus melhores momentos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Acidente na Broadway com ator da peça "Homem Aranha" (Nova York)


Queda de ator do musical "Homem-Aranha" foi provocada por erro humano


A queda sofrida pelo ator do musical "Spider-Man: Turn Off the Dark" durante apresentação na última segunda-feira foi provocada por erro humano, afirma o sindicado de atores.

Segundo a CNN, oficiais do sindicato se encontraram com representantes da produção e do Departamento do Trabalho de Nova York. Não foi revelado qual foi o erro cometido, mas um plano de segurança está sendo desenvolvido para a peça. Se ele não for aceito pelo Departamento de Trabalho, as acrobacias aéreas do espetáculos podem ser proibidas, informa a agência "Associated Press".

O dublê Christopher Tierney, 31, está internado em estado grave no Bellevue. Ele caiu de uma altura de cerca de nove metros nos minutos finais da apresentação da peça na Broadway.

Ele é o quarto ator que se fere na produção desse musical, que é o mais caro já produzido na Broadway, com orçamento de mais de US$ 65 milhões (R$ 110 milhões).

AP

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Vencedores do Prêmio Tony, do teatro americano (Nova Iorque, EUA)

a atriz Scarlett Johansson, por "A View from the Bridge" (de Arthur Miller)


"Memphis" e "Red" são os grandes vencedores dos prêmios Tony

(EFE)


O musical "Memphis", dirigido por Christopher Ashley, levou neste domingo o prêmio Tony de melhor musical dos Estados Unidos, enquanto "Red", de John Logan, obteve o de melhor peça teatral, em uma noite na qual a Broadway agraciou estreantes em seus palcos, como Scarlett Johansson e Denzel Washington.

A cerimônia de entrega dos prêmios teatrais Tony, que contou, nesta sua 64ª edição, com o ator Sean Hayes como apresentador principal, aconteceu no Radio City Music Hall de Nova York.

O espetáculo começou com as interpretações de fragmentos musicais das obras que esta noite eram candidatas aos mais famosos prêmios da cena teatral americana e que ficaram com alguns dos prêmios, como ocorreu com "Memphis", "Promises, Promises", "Everyday Rapture", "Fela!", "American Idiot" e "A Gaiola das Loucas", entre outras.

"Memphis", uma história de amor inter-racial e de encontro com a música que transcorre nos meados dos anos 50, foi a vencedora no gênero de musicais, pois ficou quatro (melhor musical, melhor libreto, melhor música e canções para teatro e orquestração) dos 15 distribuídos nessa categoria.

Um clássico da comédia musical, "A Gaiola das Loucas", ficou com três Tonys (melhor remontagem, direção musical e ator principal de musical), enquanto "Fela!", que partia com 11 indicações terminou com três prêmios, e "American Idiot", com dois.

"Million Dollar Quartet" levou o Tony de melhor ator coadjuvante de musical e "Come Fly Away" a de melhor atriz coadjuvante de musical.

Entre as obras teatrais, foi "Red" a grande vencedora da noite, pois ficou com seis dos 11 Tonys que premiam nessa categoria, incluindo os de melhor obra, ator coadjuvante, direção de arte, cenografia, iluminação e som.

Desta vez, a Broadway se inclinou a dar seus prêmios de melhor ator, melhor atriz coadjuvante e melhor atriz de musical a protagonistas da grande tela, estreantes no teatro como Denzel Washington e Scarlett Johansson, ou já com experiência como Catherine Zeta-Jones, por "A Little Night Music".

Washington ganhou seu primeiro Tony por sua interpretação em "Fences", de August Wilson, que estreou pela primeira vez em 1985, e que ficou também com o prêmio de melhor atriz com Viola Davis e de melhor remontagem.

Em "Fences", de August Wilson e estreada pela primeira vez em 1985, Denzel Washington interpreta Troy Maxson, um trabalhador de Pittsburgh que quis se dedicar ao beisebol em uma época em que as grandes ligas não admitiam jogadores negros.

"Minha mãe me dizia que os homens premiam e Deus recompensa. Acho que esta noite tive as duas coisas", disse Washington, que é assim reconhecido em seu trabalho como ator na Broadway, onde estreou com esta obra, na qual Viola Davis interpreta sua esposa.

"A View from the Bridge", de Arthur Miller e com Scarlett Johansson em um de seus papéis secundários conseguiu para ela o prêmio de melhor atriz coadjuvante.

"Não sei o que dizer. Ser membro da comunidade da Broadway sempre foi para mim um sonho desde que era menina", disse Johansson emocionada.

Scarlett Johansson ficou assim com o prêmio por seu papel de Catherine, uma adolescente que se transforma na obsessão de um homem atormentado na peça do dramaturgo Arthur Miller.

Os diferentes prêmios foram apresentados e entregues por rostos conhecidos do cinema e do panorama musical como Raquel Welch, Cate Blanchett, Paula Abdul, Helen Mirren, Lucy Liu, Chris Noth, Michael Douglas, Stanley Tucci, Anthony LaPaglia, Antonio Banderas e Ricky Martin.

O Tony, criado em 1947 e que leva o nome da atriz, diretora e produtora Antoinette Perry, é considerado o mais famoso da cena teatral americana, e equivalente ao Oscar no cinema, ao Grammy na música e ao Emmy na televisão.