Mostrando postagens com marcador estreias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estreias. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Esconderijo, de Leo Charcra, estreia no Teatro Augusta (São Paulo)



Esconderijo, peça de Leo Chacra,
fala de amor, poder e intrigas

Com texto e direção do jovem dramaturgo Leo Chacra o espetáculo inédito Esconderijoestreia dia 10 de fevereiro, sexta-feira, na Sala Experimental do Teatro Augusta, em São Paulo, às 21 horas. O enredo desta montagemtransita pelas paixões em suas diversas manifestações e pelas relações amorosas: três histórias de amor são marcadas por desencontros e afetos perdidos. O elenco é formado por Aline Abovsky, Renato Bisoni eLívia Prestes.

A história se passa na São Paulo de 1969, época do regime militar no Brasil. Esse momento político é somente o pano de fundo para contar a história de Juliana, uma jovem ativista política que, após uma traição e a queda de seu “aparelho”, busca refúgio na casa de Marina, ex-mulher de seu namorado Pedro (personagem que não aparece fisicamente em cena). Elas amam o mesmo homem! Confinada no mesmo espaço com a rival, a protagonista vive um clima de suspense e mistério.

Esconderijo propõe  uma reflexão sobre o amor, o poder e  as intrigas. A relação forçada entre as mulheres faz com que o passado de ambas venha à tona. Segredos e desejos, assim como antigas disputas, vão se revelando à medida que elas vão se compreendendo. Juliana luta apaixonadamente pela liberdade e pelo seu amor. A convivência com Marina muda o rumo de suas desconfianças sobre a traição política e provoca nela o desejo de vingança. O traidor seria Fred, o jornalista com quem ela teve um romance? E quem seria Fred, este homem que luta pelo amor de Juliana até as últimas consequências?

Segundo Leo Chacra, a referência aos “anos de chumbo” é apenas o fio que conduz as personagens à convivência forçada. “A história poderia ser em outro contexto, em qualquer época, em qualquer lugar do mundo. Esconderijo está mais para a linha freudiana que marxista; fala mais de amor que de socialismo, de sentimento humano que nacionalista”.Chacra ainda explica que o texto traz uma visão pessoal sua da época de repressão política, de forma distanciada, sem levantar bandeiras.  “Falo do amor livre, da relação aberta, da resistência às causas e às pessoas”. O foco da peça está no âmbito privado, na intimidade de Juliana, Marina, Pedro e Fred.

O diretor/autor salienta que a encenação brinca com os sentimentos das personagens, aplicando uma lente de aumento no âmbito privado de suas vidas. No cenário, três poltronas são dispostas aleatoriamente representando tanto a casa de Marina como o apartamento de Fred. De forma nada conceitual, folhas de papel, jornais e livros são jogados pelo cenário, compondo uma atmosfera literária. Também um aparelho de telefone e uma máquina de escrever ajudam a simbolizar a liberdade tão ansiada. “O ambiente lembra um jovem que saiu da casa dos pais, um jovem país em formação ou a desconstrução das coisas, nos anos 60”. Justifica o diretor. 

O figurino remete, sutilmente, à moda do final dos anos 60 e traz para a peça uma atmosfera de nouvelle vague, de tropicalismo. “Quero pincelar o mundo antes do eletrônico, antes da internet”, diz Leo. A trilha sonora passa pelo instrumental, folk music, rock clássico e tropicalismo. O diretor busca a força da sonoridade e dos acordes, para pontuar a simplicidade da vida ou a complexidade dos sentimentos. “Estou muito feliz dirigindo. Acho que o trabalho fica ainda mais autoral”. Finaliza Leo Chacra.

Ficha técnica
Espetáculo: Esconderijo
Texto e direção: Leo Chacra
Elenco: Aline Abovsky (Marina), Lívia Prestes (Juliana) e Renato Bisoni (Fred)
Cenário: Leo Chacra
Iluminação: Fábio Ferretti
Figurino: Geondes Antonio e grupo
Programação visual: Suzy Suzuki
Produção executiva: Geondes Antonio
Fotos: Fábio Ghrun
Serviço:
Estreia: 10 de fevereiro – sexta-feira – às 21h30 - Até 25/03
Local: Teatro Augusta (Sala Experimental)
Rua Augusta, 943 – Cerqueira César/SP - Tel: (11) 3151- 4141
Horários: sexta (21h30), sábado (21 horas) e domingo (19 horas)
Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00) – Gênero: Drama
Duração: 75 min – Classificação etária: 12 anos - Capacidade: 55 lugares
Bilheteria: 4ª a 5ª (14h às 21h), 6ª (14h às 21h30), sáb. (15h às 21h) e dom. (15h às 19h).
Reservas por telefone: 4ª a sab. (15h às 19h) e dom. (15h às 17h) – Aceita dinheiro e cartões (MC, D, V, RS e VE). Ingressos antecipados: www.ingressorapido.com.br (tel 4003-1212). Acesso universal.
Ar condicionado. Estacionamento conveniado no local – Site: www.teatroaugusta.com.br

Leo Chacra – autor e diretor

Leo Chacra é autor do romance Road Movie Doméstico. Com mais de 10 anos de carreira, além de ator, Leo é o palhaço Leleco, faz stand up comedy, sendo um dos fundadores do grupo Clownbaret. Atuou em Estado de Sítio (direção de Marcello Lazaratto) e dirigiu o Grupo Sete em Seis Atrizes em Busca de Um Diretor (De Felipe Sant’Ângelo). Como dramaturgo, assina os textos România (peça que também dirigiu), Sessão da Tarde (na qual atuou e dirigiu), Falecida Senhora Sua Mãe (de GeorgesFeydeau; dirigiu e atuou), Comédia dos Esquemas (também foi ator sob direção de Antonio Rocco) e a inédita Epidemia Franciscana, que será encenada por Roney Facchini, em 2012.

Aline Abovsky – atriz

Aline Abovsky, 38 anos, formou-se atriz pelo Teatro-Escola Célia Helena e já participou de mais de 20 espetáculos de teatro ao lado de diretores como Jairo Mattos, Nilton Bicudo, Marcos Loureiro, Walter Stein, Nelson Baskerville e Mário Bortolotto. Junto com o grupo Cemitério de Automóveis foram várias peças, entre elas Nossa Vida não Vale um Chevrolet, E Éramos Todos Thunderbirds, Postcards deAtacama, Tempo de Trégua, Faroestes e outras. No cinema, atuou em Carro de Paulista, o Filme(telefilme de Ricardo Pinto e Silva), Desde o Fim Até o Começo (curta de Jarbas Capusso Filho), Jardim Europa SP (longa de Mauro Baptista) e O Friso da Vida (curta de Ricardo de Oliveira). Aline também atua como dublê de ação em novelas e filmes.

Renato Bisoni – ator

O ator Renato Bisoni, 36 anos, estudou interpretação no Stúdio Fátima Toledo, Lee Strasberg Institute(EUA) e na Oficina de Atores da Rede Globo. Bisoni participou das novelas globais A Cor do Pecado, como Guilherme, e Pé na Jaca, na qual interpretou um jogador de pólo aquático. No teatro, integrou o elenco da peça Noturno, de Oswaldo Montenegro,  Terminal Patient, de Lee Strasberg, e Rodrigueanas, de Nilton Travesso. Também viveu a personagem James no filme American Hero, além de trabalhar em filmes publicitários, entre eles um comercial para a Revista Época (da agência W/Brasil).

Lívia Prestes - atriz

A paulistana Lívia Prestes, 28 anos, estudou teatro na Faculdade Paulista de Artes, além de ter feito vários cursos de interpretação para cinema e vídeo. Como atriz participou de curtas-metragens e de vários filmes publicitários. Entre os anos de 2004 e 2008, ela foi apresentadora do Canal Sony, à frente do programa de variedades Estilo Sony. Lívia também trabalha com locutora de peças publicitárias para mídia radiofônica.

Assessoria de imprensa: VERBENA COMUNICAÇÃO
Tel: (11) 3079-4915 / 9373-0181 - verbena@verbena.com.br

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pterodátilos, com Marco Nanini, estreia no Teatro FAAP (São Paulo,SP)


Extinção / Pterodátilos

Ubiratan Brasil, de O Estado de S.Paulo

Em 2002, Marco Nanini e Felipe Hirsch apresentaram o cáustico diálogo do dramaturgo americano Nicky Silver à plateia brasileira. Para alguns, foi demais - engravatados acompanhados de madames de tecido fino puxavam a fila em direção à saída do teatro no intervalo, indignados com a perturbadora família apresentada em Os Solitários, seleção de textos de Silver que se destacavam pelo humor negro.

"Quase dez anos se passaram e as palavras de Silver se tornaram ainda mais atuais", comenta o diretor Hirsch, que volta a se encontrar com o grande ator para encenar um daqueles textos, Pterodátilos, que estreia sexta-feira, no Teatro Faap. "Com o crescimento econômico, o Brasil tornou-se um país ainda mais consumista e justamente essa atitude é criticada pela peça."

De fato, escrita em 1993, Pterodátilos apoiava-se em um assunto ainda em questão (a contaminação pelo vírus da aids), mas trazia como fio condutor a crítica ao consumismo desenfreado, o que leva uma família à extinção. E, comemorando seus 45 anos de carreira, Nanini brilha no palco em dois papeis: Artur Duncan, o pai banqueiro que não consegue chamar o filho pelo nome verdadeiro, e Emma, a filha de 15 anos, jovem desencontrada que está prestes a se casar. "É o retrato cruel mas também fiel da nossa sociedade", afirma.

Leia abaixo entrevista com Marco Nanini e Felipe Hirsch

A trama de Pterodátilos surpreende ao mostrar como uma família rica e disfuncional ruma à extinção: Artur (Marco Nanini) é presidente de um banco e chefe de uma família disfuncional, formada por Grace (Mariana Lima), a mãe alcoólatra, mulher opaca e apenas preocupada em consumir; Todd (Álamo Facó), o filho mais velho que volta à casa paterna depois de ter contraído o vírus da aids; e Ema (novamente Nanini), a filha desnorteada, que se julga grávida e cujo namorado, Tom (Felipe Abib), além de transformado em empregada da casa, logo se apaixona por Todd. "Nicky Silver toca na ferida, mas provoca gargalhadas", observa o diretor Felipe Hirsch.

Antenado com as novidades da moderna dramaturgia mundial, Hirsch encantou-se justamente com o humor perturbador de Silver, cujo texto foi apresentado pelo jornal The New York Times como uma "absurdidade clássica". "Em alguns momentos, as palavras parecem que são ditas mais com a intenção de ocultar do que revelar algo", comenta. "Nossa primeira montagem, a de 2002, trazia um tom épico, que não ressaltava um aspecto que hoje domina cidades como o Rio e São Paulo: o consumismo."

Basta acompanhar os passos de Grace, a mãe interpretada com precisão por Mariana Lima - além de se preocupar apenas com vestidos e bolsas, ela se afunda de tal maneira na obsessão que acaba praticamente embalada como um presente, tornando-se praticamente um objeto.

Foi justamente esse detalhe que norteou a concepção cênica de Hirsch. Inspirou, aliás, também a cenografia de Daniela Thomas, que novamente acrescentou uma função essencial ao cenário: ela criou um palco móvel, que inclina para os lados à medida que a crise familiar se agrava. "Quando a Daniela teve a ideia, Felipe ficou na dúvida se seria possível", relembra Nanini. Incentivada pelo produtor Fernando Libonati (sócio de Nanini na empresa Pequena Central), que comprou a ideia, Daniela, inspirada pelos brinquedos que simulam voos espaciais, montou um tablado de 85 centímetros de altura que é movimentado por macacos hidráulicos.

A tecnologia é semelhante à usada nos carros alegóricos de escolas de samba. "Conheci um senhor chamado Batista, que adaptou o que faz nos desfiles para o palco", conta Daniela, que sempre desejou montar um cenário com base móvel, que se alterasse de acordo com o momento da peça.

Entusiasmado com o trabalho, Felipe Hirsch decidiu avançar no conceito do espetáculo e determinou que, além de se movimentar, o tablado seria desmontado. Assim, enquanto a desintegração familiar é revelada, Todd, o filho que retorna por motivo de doença, descobre estranhos sinais sob o piso da casa. Ele começa a remover as tábuas e a terra por debaixo delas até encontrar a ossada de um pterodátilo. Tal escavação provoca desnivelamento do solo, obrigando os atores a se equilibrarem e também a pularem os buracos provocados por Todd.

"Ganhei, assim como o elenco, um novo desafio, que era contornar os buracos que vão surgindo como se fossem naturais", conta Nanini, que ainda brinca. "Calçando 44, meu pé fica fora de escala."

O ator termina cada apresentação feliz, mas exausto. Afinal, retoma uma prática que não executava desde quando encenou o megassucesso O Mistério de Irma Vap, em que era obrigado a mudar rapidamente de roupa e de personagem. Se em Pterodátilos a sucessão de trocas não é tamanha, a exigência intelectual é maior. "Emma é muito tensa, raciocina freneticamente, enquanto Artur é monolítico, mais conciso", conta ele. "Os obstáculos me deixam mais concentrado, mas, como a peça se parece com um avião a jato, termino esgotado."

PTERODÁTILOS

Teatro Faap. Rua Alagoas. 903, telefone 3662-7233.

6ª, 21h30; sáb., 21 h; dom., 18 h.

De R$ 60 a R$ 80. Até 29/5