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quarta-feira, 23 de março de 2011

Marco Nanini é Prêmio Shell por Pterodátilos (Rio de Janeiro, RJ)

Marco Nanini em Pterodátilos, Premio Shell

Marco Nanini vence etapa carioca do Prêmio Shell

A peça "Pterodátilos" foi a grande vencedora da etapa carioca do 23º Prêmio Shell de Teatro.

O espetáculo ficou com três dos nove prêmios da noite, inclusive o de melhor ator para Marco Nanini.

A atriz Mariana Lima e a cenógrafa Daniela Thomas também foram reconhecidas pelo trabalho na mesma produção.

Entre os demais premiados, destaque para Jô Bilac, premiado como autor por "Savana Glacial", e João Fonseca, considerado o melhor diretor por "Maria do Caritó".

Houve ainda prêmios para Marcelo Pies pelo figurino de "Hair", Tomás Ribas pela iluminação de "Rock Antygona" e Marcelo Alonso Neves pela música de "As Conchambranças de Quaderna".

A linguagem corporal aplicada no espetáculo "Fragmentos do Desejo" também rendeu o prêmio categoria especial para André Curti e Artur Ribeiro.

A cerimônia de premiação ocorreu nesta terça-feira (22) no Rio de Janeiro.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pterodatilos estreia no Teatro Faap com Marco Nanini (São Paulo, SP)


Marco Nanini aproxima público de tragicomédia familiar


GUSTAVO FIORATTI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Quando atuou em "Os Solitários" (2002), espetáculo que reunia duas peças do americano Nicky Silver, Marco Nanini encerrou temporada com uma sensação: "Pterodátilos", que fazia par com "Homens Gordos de Saia", poderia um dia ser reencenada em um teatro que não fosse tão grande quanto o Alfa.

Essa é a explicação principal da revisitação que o ator --em sua terceira parceria com o diretor Felipe Hirsch-- faz ao texto, uma tragicomédia familiar. "Pterodátilos" volta hoje ao cartaz, reformulada para o teatro Faap, que tem 506 lugares.

"No Alfa, o espetáculo tinha uma impostação mais épica, mais operística", diz Nanini. "Ficamos com 'Pterodátilos' na cabeça, achando que o espetáculo poderia ser encenado mais próximo do espectador", conclui.

O novo olhar aproxima a plateia de um núcleo familiar em processo de desmantelamento, o que não significa que a encenação agora se incline ao realismo.

Nanini interpreta dois papéis: o de uma menina problemática de 15 anos, rejeitada pela mãe, e o o pai dela, "um sujeito que vive seus problemas passivamente, como se estivesse na prisão".

Completam o núcleo familiar a própria mãe --que na temporada de 2002 foi interpretada por Marieta Severo e agora é vivida por Mariana Lima--, o outro filho do casal (Álamo Faço) e o namorado da filha (Felipe Abib).

NOVO FOCO

Os diálogos explicitam conflitos interpessoais ora conduzidos por questões mais cotidianas, como a rejeição, ora articulados em um campo trágico.

Incesto, dominação, estupro, abuso e doenças --um dos personagens é portador do vírus HIV--, em alguns pontos, acabam se tornando temas centrais.

É um texto típico de uma primeira fase de Silver, que disse, em entrevista ao "New York Times", considerá-la mais "nervosa".

"Eu estou muito diferente da pessoa que eu era quando escrevi essas peças. Eu tinha raiva de muitas coisas. Se você olhar para 'Pterodátilos', essa é uma peça que tem muita, muita raiva", afirmou o autor.

Nanini explica que a nova leitura partilhada com Hirsch sublinha um desequilíbrio provocado pelo consumo. "Na primeira encenação, sinto que o foco da peça estava no problema da Aids, por exemplo", diz.

"Agora, o foco muda, a coisa do consumismo está mais forte, o que nos aproxima de uma realidade que está tomando conta do Brasil."

PTERODÁTILOS

QUANDO sex., às 21h30, sáb., às 21h, e dom., às 18h

ONDE Teatro Faap (r. Alagoas, 903, tel. 0/xx/11/3662-7233)

QUANTO R$ 30 a R$ 80

CLASSIFICAÇÃO 16 anos

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pterodátilos, com Marco Nanini, estreia no Teatro FAAP (São Paulo,SP)


Extinção / Pterodátilos

Ubiratan Brasil, de O Estado de S.Paulo

Em 2002, Marco Nanini e Felipe Hirsch apresentaram o cáustico diálogo do dramaturgo americano Nicky Silver à plateia brasileira. Para alguns, foi demais - engravatados acompanhados de madames de tecido fino puxavam a fila em direção à saída do teatro no intervalo, indignados com a perturbadora família apresentada em Os Solitários, seleção de textos de Silver que se destacavam pelo humor negro.

"Quase dez anos se passaram e as palavras de Silver se tornaram ainda mais atuais", comenta o diretor Hirsch, que volta a se encontrar com o grande ator para encenar um daqueles textos, Pterodátilos, que estreia sexta-feira, no Teatro Faap. "Com o crescimento econômico, o Brasil tornou-se um país ainda mais consumista e justamente essa atitude é criticada pela peça."

De fato, escrita em 1993, Pterodátilos apoiava-se em um assunto ainda em questão (a contaminação pelo vírus da aids), mas trazia como fio condutor a crítica ao consumismo desenfreado, o que leva uma família à extinção. E, comemorando seus 45 anos de carreira, Nanini brilha no palco em dois papeis: Artur Duncan, o pai banqueiro que não consegue chamar o filho pelo nome verdadeiro, e Emma, a filha de 15 anos, jovem desencontrada que está prestes a se casar. "É o retrato cruel mas também fiel da nossa sociedade", afirma.

Leia abaixo entrevista com Marco Nanini e Felipe Hirsch

A trama de Pterodátilos surpreende ao mostrar como uma família rica e disfuncional ruma à extinção: Artur (Marco Nanini) é presidente de um banco e chefe de uma família disfuncional, formada por Grace (Mariana Lima), a mãe alcoólatra, mulher opaca e apenas preocupada em consumir; Todd (Álamo Facó), o filho mais velho que volta à casa paterna depois de ter contraído o vírus da aids; e Ema (novamente Nanini), a filha desnorteada, que se julga grávida e cujo namorado, Tom (Felipe Abib), além de transformado em empregada da casa, logo se apaixona por Todd. "Nicky Silver toca na ferida, mas provoca gargalhadas", observa o diretor Felipe Hirsch.

Antenado com as novidades da moderna dramaturgia mundial, Hirsch encantou-se justamente com o humor perturbador de Silver, cujo texto foi apresentado pelo jornal The New York Times como uma "absurdidade clássica". "Em alguns momentos, as palavras parecem que são ditas mais com a intenção de ocultar do que revelar algo", comenta. "Nossa primeira montagem, a de 2002, trazia um tom épico, que não ressaltava um aspecto que hoje domina cidades como o Rio e São Paulo: o consumismo."

Basta acompanhar os passos de Grace, a mãe interpretada com precisão por Mariana Lima - além de se preocupar apenas com vestidos e bolsas, ela se afunda de tal maneira na obsessão que acaba praticamente embalada como um presente, tornando-se praticamente um objeto.

Foi justamente esse detalhe que norteou a concepção cênica de Hirsch. Inspirou, aliás, também a cenografia de Daniela Thomas, que novamente acrescentou uma função essencial ao cenário: ela criou um palco móvel, que inclina para os lados à medida que a crise familiar se agrava. "Quando a Daniela teve a ideia, Felipe ficou na dúvida se seria possível", relembra Nanini. Incentivada pelo produtor Fernando Libonati (sócio de Nanini na empresa Pequena Central), que comprou a ideia, Daniela, inspirada pelos brinquedos que simulam voos espaciais, montou um tablado de 85 centímetros de altura que é movimentado por macacos hidráulicos.

A tecnologia é semelhante à usada nos carros alegóricos de escolas de samba. "Conheci um senhor chamado Batista, que adaptou o que faz nos desfiles para o palco", conta Daniela, que sempre desejou montar um cenário com base móvel, que se alterasse de acordo com o momento da peça.

Entusiasmado com o trabalho, Felipe Hirsch decidiu avançar no conceito do espetáculo e determinou que, além de se movimentar, o tablado seria desmontado. Assim, enquanto a desintegração familiar é revelada, Todd, o filho que retorna por motivo de doença, descobre estranhos sinais sob o piso da casa. Ele começa a remover as tábuas e a terra por debaixo delas até encontrar a ossada de um pterodátilo. Tal escavação provoca desnivelamento do solo, obrigando os atores a se equilibrarem e também a pularem os buracos provocados por Todd.

"Ganhei, assim como o elenco, um novo desafio, que era contornar os buracos que vão surgindo como se fossem naturais", conta Nanini, que ainda brinca. "Calçando 44, meu pé fica fora de escala."

O ator termina cada apresentação feliz, mas exausto. Afinal, retoma uma prática que não executava desde quando encenou o megassucesso O Mistério de Irma Vap, em que era obrigado a mudar rapidamente de roupa e de personagem. Se em Pterodátilos a sucessão de trocas não é tamanha, a exigência intelectual é maior. "Emma é muito tensa, raciocina freneticamente, enquanto Artur é monolítico, mais conciso", conta ele. "Os obstáculos me deixam mais concentrado, mas, como a peça se parece com um avião a jato, termino esgotado."

PTERODÁTILOS

Teatro Faap. Rua Alagoas. 903, telefone 3662-7233.

6ª, 21h30; sáb., 21 h; dom., 18 h.

De R$ 60 a R$ 80. Até 29/5

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Marco Nanini em "Pterodátilos", no Teatro das Artes (Rio de Janeiro, RJ)

Marco Nanini em "Pterodátilos"

Nanini festeja 45 anos de carreira em 'Pterodátilos'


Peça de Nicky Silver, que retrata a desintegração familiar, estreia no Rio e chega em março a SP

Uma vistosa peruca loura, braceletes e anéis brilhantes, tailleur que torna a silhueta mais bela - seria o perfil encantador de uma mulher, mas não se engane: o sorriso escancarado do ser que carrega todos esses atributos é o de um esqueleto. A combinação forma o cartaz da peça Pterodátilos, que estreia hoje no Teatro das Artes, no Rio. Promoção e provocação, eis uma mistura bem dosada para o espetáculo que comemora os 45 anos de profissão do ator Marco Nanini. E, como se trata de um artista inquieto, a festa não é comportada - Pterodátilos é uma rara comédia, em que o humor dilacera e o nonsense amargura. "Toca nas feridas, mas provoca gargalhadas", resume Felipe Hirsch, diretor da montagem.

Basta espiar a história em que Nanini interpreta dois personagens: Artur é presidente de um banco e chefe de uma família disfuncional, formada por Grace (Mariana Lima), a mãe alcoólatra, mulher opaca e apenas preocupada em consumir; Todd (Álamo Facó), o filho mais velho que volta à casa paterna depois de ter contraído o vírus da aids; e Ema (Nanini), a filha desnorteada, que se julga grávida e cujo namorado, Tom (Felipe Abib), além de transformado em empregada da casa, logo se apaixona por Todd. "A casa está desmoronando e isso fica mais evidente nesta montagem", comenta Nanini (veja abaixo).

Ele se refere à primeira encenação da peça, em 2002, intitulada Os Solitários. Na época, Felipe Hirsch uniu dois textos do norte-americano Nicky Silver que tratavam da decadência familiar. "Mas Pterodátilos sempre ficou na cabeça da gente porque tem humor, diálogos incríveis e precisos, e dramaticidade sem pieguice", conta o ator, decidido a retomar o trabalho com o diretor justamente com esse texto.

O passar dos anos, na verdade, fortaleceu a peça. "A primeira montagem tinha um tom épico, que não ressaltava tanto um aspecto que hoje domina cidades como o Rio e São Paulo: o consumismo", avalia Hirsch. "No Brasil, o mercado de luxo cresce 20% ao ano, enquanto no restante do mundo a marca é de 4%. Por isso que vejo nesse espetáculo o reflexo do País."

Um reflexo turvado pela comicidade - os personagens de Silver são hilariantes em sua tragédia. Grace, por exemplo, pede opinião do filho sobre qual vestido deve usar no enterro dele. E Ema é expulsa do encontro das filhas estupradas pelo pai por ter mentido. "O humor é tão absurdo que provoca compaixão da plateia", comenta Hirsch.

E o efeito é conquistado graças às atuações. Nanini se desdobra com o habitual talento no pai desnorteado com o declínio familiar ("Artur vê as coisas desmoronando, mas não tem ação") e na filha frustrada pela falta de atenção geral. A personagem, aliás, provocou aflição no ator. "Quando a interpretei em 2002, acreditava estar encenando uma menina de 15 anos, mas, quando vi algumas imagens na internet daquela montagem, fiquei horrorizado: era um homem de idade fazendo uma garota. Assim, decidi não mais rever cena alguma das minhas montagens."

Já Mariana Lima, que vive uma atarantada Grace, lamentou o pouco tempo que teve para criar. "Normalmente, tenho mais que dois meses de preparação", disse ela, que primeiro elaborou a loucura interna da personagem para depois montar o perfil exterior. "Assisti a seriados como Absolutely Fabulous para me inspirar. Era necessária uma precisão absoluta, pois é uma peça curta, de ritmo vertiginoso, na qual tudo é dito sem véu da culpa, sem meias palavras."

Apesar de o espetáculo - que chega em São Paulo em março, no Teatro Shopping Frei Caneca - marcar os 45 anos de carreira de Nanini, o ator sentiu-se premiado de fato com a inauguração do Instituto Galpão Gamboa, sala de espetáculos fora do circuito convencional e comercial do Rio, que ele e seu sócio na produtora Pequena Central, Fernando Libonati, montaram apenas com recursos próprios. "Encenamos Pterodátilos lá e foi um sucesso", vibra Nanini. "Além de receber outras produções independentes, o espaço vai oferecer cursos para a comunidade daquela zona portuária, ainda muito carente de cultura."

Pterodátilos - Teatro das Artes. R. Marquês de São Vicente, 52, Shop. da Gávea, Rio, (21) 2540-6004. 6ª e sáb., 21h; dom., 20h. R$ 60/R$ 90. Até 31/10.