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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pira, Pirandello, Pira, de Mário Viana, no Parlapatões (São Paulo, SP)

 Mário Viana

Inspirada em obra de Nobel de literatura de 1934,
Pira, Pirandello, Pira
chega ao Espaço dos Parlapatões em curtíssima temporada

Com texto de Mário Viana, direção de Bárbara Bruno, trilha sonora do Du Moreira, cenários e figurinos de Milton Fucci, livre adaptação de Uno, Nessuno e Centomila, de Luigi Pirandello – um dos maiores nomes da dramaturgia do século XX – fica em cartaz de 
 12 de agosto a 10 de setembro em São Paulo    

         O dramaturgo italiano da Sicilia Luigi Pirandello (1867-1936), agraciado com um                         Nobel de Literatura em 1934 por sua “revitalização arrojada e engenhosa da arte dramática e cênica”, apresenta em Uno, Nessuno e Centomila, romance de 1909 - em tradução livre Um, nenhum, cem mil – seu eterno e penetrante questionamento sobre o que é “a verdade”, revelando assim as falsas impressões que surgem como respostas para essa questão.  O relativismo que se evidencia vai do trágico ao cômico e arranca gargalhadas em sinal de concordância não só por conta da complexidade que se desenvolve de forma serena e natural: a coerência e contundência em questão ganha legitimidade, sobretudo pelo impacto fulminante na forma com que o dramaturgo traduz a máxima de que “as coisas nem sempre são o que parecem” (embora talvez sejam), pode ter na vida de um indivíduo.

         De 12 de agosto a 10 de setembro o público terá a oportunidade de conhecer este universo de “desconstrução (ou construção) de identidade. Produção e elenco experientes encenam Uno, Nessuno e Centomila no Espaço dos Parlapatões - Praça Franklin Roosevelt, 158 – agora sob o título Pira, Pirandello, Pira. Protagonizada pelo ator Beto Bellini – que dá vida à Vitangelo Moscarda – a livre adaptação de Mário Viana, dirigida por Bárbara Bruno, ganha vida ainda pelos atores Cláudio Curi, Eliete Cigaarini, Vanessa Goulartt, Rafael Maia e Edu Guimarães. Completam a ficha técnica a trilha sonora de Du Moreira e os cenários e figurinos de Milton Fucci, além da coreografia de Paulo Goulart Filho.

            *  abaixo da descrição da peça, leia análises assinadas por Mário Viana e Bárbara Bruno

A peça           
         O personagem protagonista Vitangelo Moscarda é emblemático: ao notar que as pessoas têm uma impressão sobre ele absolutamente diferente da forma com que ele afirma (ou supõe) ser na realidade, Moscarda cai na insanidade. Ou será na realidade? Inicia-se, então, o processo de autoconsciência – talvez o mais agressivo da carreira de Pirandello. O tom sátiro da peça surge como ponto de equilíbrio à busca dramática e até trágica do protagonista por essa verdade logo na faísca da reviravolta que ele dará em sua vida.

         Vitangelo Moscarda é um jovem herdeiro do banco de seu pai. Um dia, porém sua esposa, Dida, - interpretada por Eliete Cigaarini - lhe faz a seguinte observação: “seu nariz é ligeiramente torto”. Eis a “faísca” acima citada, que dá origem à busca do protagonista – em primeiro plano por sua identidade – e, de forma mais ampla, pela “verdade”. Moscarda, então, muda de vida: desiste de ser banqueiro, o que desaponta sua esposa - que sai de casa. Mesmo ao custo de sua ruína financeira e abandono de seu amor, Vitangelo encontra em um projeto de caridade o caminho para suas elucidações, o que também caracteriza o personagem como anti-herói – figura bastante presente no teatro da primeira metade do século XX. Sua busca chega a levá-lo a um hospital, onde os seus sentimentos se libertam. O esmagamento do ego, a mudança de atitude e postura do outro perante ao “novo ele” são algumas das percepções que permeiam a apresentação a ser vista nos Parlapatões.      

         Essa interrogação da veracidade da situação dramática ganha o tempero das provocantes rupturas do metateatro – recorrente nas peças de Pirandello – e que são contempladas em                                  Pira, Pirandello, Pira. Acrescenta-se às referências e alusões a outras de suas peças durante a encenação, entre elas, Seis personagens à procura de um autor, uma das mais famosas. Toda a construção do espetáculo traz o espectador ao universo macro e o conduz ao detalhe do pensamento instigante do dramaturgo italiano. Mas talvez a melhor definição para sua busca seja mesmo a que dá título ao texto a ser interpretado a partir do dia 12 de agosto: Um, Nenhum, Cem Mil.


Pira, Pirandello, Pira !!!

Se eu tivesse absoluta certeza que meu nariz é reto diria que Pirandello é absolutamente louco !

A dúvida existe, portanto a sanidade é relativa, já que a retidão de meu nariz depende de quem o vê.

Sei que respiro mas apenas me parece, não afirmo, que de forma alguma as linhas de meu rosto determinam minha condição de respirar melhor ou pior.

Abre-se a cortina e num instante mágico, infinitas possibilidades se apresentam o que não impede que se tenha uma única versão de determinado ponto de vista.

Que jogo fascinante da máscara teatral que respeita a liberdade absoluta da incerteza e propõe um mergulho profundo sem rede protetora.

Salve (-me ) Pirandello !!!

Abraços

Bárbara Bruno ? ! – diretora


**Piraporque

  Por Mário Viana

Quando Bárbara Bruno me propôs fazer a adaptação do romance Um, Nenhum e Cem Mil, de             Luigi Pirandello, tremi nas bases. Já tinha lido o livro anos atrás e lembrava que era uma aventura desbravar a floresta intrincada dos raciocínios do autor siciliano. Pirandello não é mole, não. Mas, ao reler o romance e as peças, descobri a América, ou seja, me apaixonei por Pirandello e sua floresta de raciocínios intrincados.

Na recriação do romance e das peças para um outro espetáculo, visto pelos olhos de um dramaturgo, uma diretora e uma equipe totalmente ligados no século XXI, tentamos mostrar que Luigi Pirandello é mais contemporâneo que muito escritor badalado que circula por aí.

Há, em Pirandello, uma atualidade impressionante – a ideia de que a verdade muda conforme a pessoa que vê é uma prévia do que temos hoje, quando temos todos os nossos passos seguidos por câmeras de segurança. Cada uma nos mostra de um ângulo, desvenda nossos gestos, delata possíveis agressões... O mundo está cada vez mais “pirandelliano”.

Mário Viana, dramaturgo.

Serviço: Pira, Pirandello, Pira

12 de agosto a 10 de setembro
Local: Espaço dos Parlapatões
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158 - São Paulo
Horários: sextas e sábados – à meia-noite (uma única apresentação por noite)
Duração: 60 minutos
Ingressos: R$ 30,00
Capacidade: 96 lugares
Gênero: Comédia Enlouquecida
Fone: 3258-4449- parlapatoes@uol.com.br 
Aceita cartões: Visa / Master Card / American Express
Lanchonete no local
Bilheteria: das 16h às 22h


Ficha Técnica do espetáculo: Pira, Pirandello, Pira

Adaptação de texto: Mário Viana
Direção: Bárbara Bruno
Assistente de Direção: Samira Lochter
Elenco: Beto Bellini, Eliete Cigaarini, Cláudio Curi, Vanessa Goulartt, Edu Guimarães, Rafael Maia
Cenário e figurinos: Milton Fucci
Coreografia: Paulo Goulart Filho
Trilha Sonora: Du Moreira
Produção Marketing: Igor Guedes
Designer Gráfico: Leo Marino
Vídeo: Luís Felipe Minnicelli
Iluminação: Rodolfo García Vázquez
Fotografia: Damien Golovaty
Coordenação de Produção: Erika Barbosa
Diretora de Produção: Gisa Guttervil
Assistente de Produção e Visagista: Rafael Mendes
Núcleo de Produção: FAZ Centro de Criação
Assessoria de Comunicação: Parceria 6 Assessoria de Comunicação





Sobre Luigi Pirandello

Luigi Pirandello nasceu na Sicília em 1867 e morreu em Roma em 1936. É considerado um dos mais importantes escritores do século XX e precursor do teatro do absurdo, que seria desenvolvido nos anos 1950. Foi membro do Partido Fascista e participou ativamente da vida cultural italiana sob o domínio de Benito Mussolini, embora se recusasse a transmitir em suas obras qualquer mensagem relativa à sua posição política. Doutor em filologia pela Universidade de Bonn – Alemanha - com tese sobre o dialeto de sua cidade natal, revela grande preocupação lingüística em sua obra literária, boa parte dela escrita no dialeto siciliano.


Sobre Bárbara Bruno

Bárbara Bruno estreiou no palco do teatro sob a direção de Antunes Filho no espetáculo “Tome Conta de Amelie”, ao lado de Maria Della Costa. Escolheu o teatro como ofício e atuou em diversas montagens teatrais como "Direita, Volver!" de Lauro César Muniz, direção Emílio Di Biasi, “O Martelo”, “Laços Eternos”, “Crimes Delicados”, entre outras. Ampliou suas funções trabalhando também como diretora e produtora.

Sobre Mário Viana

Nascido em São Paulo, 11 de julho de 1960, Mário Viana é um jornalista e dramaturgo brasileiro. Formado em jornalismo pela Faculdades Cásper Líbero, trabalhou no jornal Folha de São Paulo,  Veja São Paulo, atuou como editor de turismo no jornal O Estado de São Paulo, além de ter colaborado com um extenso leque de publicações.

Como dramaturgo, formou o Núcleo dos 10, sob orientação do também dramaturgo                                   Luís Alberto de Abreu. Recebeu menção honrosa no Concurso Nacional de Textos Teatrais Inéditos de 2000, promovido pelo Ministério da Cultura, com a peça Flechadas do teu Olhar. Os textos Vamos? e Vestir o Pai também receberam prêmios em duas edições do concurso de dramaturgia promovido pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, em 2000 e 2001.

Teve montados três espetáculos com o Grupo Parlapatões: Mistérios Gulosos, Um Chopes, Dois Pastel e uma Porção de Bobagem e Pantagruel. Também foram montadas as peças Ifigônia, com as atrizes Rosi Campos e Zezeh Barbosa, e Verdades, Canalhas, dirigida por Hugo Possolo. A comédia Vamos? ganha montagem em Fortaleza. O monólogo Natureza Morta, inspirado numa tela do norueguês Edvard Munch, é montado no Recife, em São Paulo e Rio de Janeiro.




Sobre a FAZ Produções e Erika Barbosa - Produtora


A Faz Produções é coordenada por Erika Barbosa, com Luiza Gottschalk e Beto Bellini.  Atua entre o eixo Rio/São Paulo há mais de 17 anos, produzindo diversos espetáculos. Entre as mais recentes produções de espetáculos, “O Última Stand Up” – estreia no Festival de Curitiba 2011; “19 Centímentros”, com direção Bárbara Bruno de Lauro César Muniz – Satyrianas – 25/11/2010; “Nó de Cachorro ou a Mandrágora Brasileira” , com direção de Nelson Xavier – Teatro Bibi Ferreira – Espaço dos Satyros Um e Espaço dos Satyros Dois – SP; “Hipóteses para o Amor e a Verdade”, com direção de Rodolfo García Vázquez -  Espaço dos Satyros Um – Pça Roosevelt  - e Festival de Ararquara em junho de 2010; “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, 2007 e 2009 no Rio de Janeiro – 2008 em São Paulo; Produção da temporada carioca no Espaço Municipal Sérgio Porto dos espetáculos paulistanos do Grupo Os Satyros: “A Filosofia na Alcova”, “120 Dias de Sodoma”, “Justine”, “Liz” e “O Monólogo da Velha Apresentadora”; “Gotas ao Dia”, de Alessandro Toller e Tatiana Passarelli, direção Sérgio Sálvia Coelho - Teatro Augusta – SP; “Uma Coisa Muito Louca”, de Flavio de Souza, direção Roberto Lage com Luiza Gottschalk e Bruno Gradim. Teatro Bibi Ferreira – SP; “Um Passeio no Bosque”, de Lee Blessing, com direção de Emilio Di Biasi; entre outros trabalhos de igual importância.


INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:
(11) 3081-1260 | 3062-9951
Carina Gonçalves| carina@parceria6.com.br  (11) 8657-6894
Heloizi Parra | heloizi@parceria6.com.br | (11) 7717-5804 Nextel: ID 55*7*5307
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Luigi Pirandello desmontado em livro

A paixão que mudou os rumos do teatro




Sem a atriz Marta Abba não existiriam peças como Os Gigantes da Montanha

Antonio Gonçalves Filho (Estadão)

AUTÓGRAFO - Foto oferecida por Pirandello ao Estado em 1927, quando renegou o fascismo de MussoliniCom o livro sobre Marta Abba, da atriz e professora Martha Ribeiro, que traduziu e dirigiu Quando se É Alguém, texto de Pirandello encenado pela primeira vez no Brasil no ano passado, o catálogo de obras lançadas sobre o dramaturgo nos últimos dois anos cresce não só em tamanho. Ele ganha um ensaio que trata com profundidade da relação entre o autor e sua musa inspiradora, a atriz Marta Abba (1900-1988).

Ela provocou uma revolução não só na vida pessoal como na dramaturgia de Pirandello. Foi depois que se conheceram, em 1925, que ele escreveu a peça Diana e Tuda (Diana e la Tuda) - coincidentemente, o mesmo ano em que teve sua primeira encenação no Brasil com a montagem de Assim É se lhe Parece por Jayme Costa (1897-1967).Foi também por essa época que o teatro de Pirandello mudou radicalmente, ele que já havia provocado escândalos memoráveis - como o da estreia de Seis Personagens à Procura de Um Autor, em 1921, quando o público pediu que internassem o autor num manicômio.

Apaixonado por Marta Abba, ele escreveu para a atriz - transferindo características suas para os personagens - peças que os críticos resolveram esnobar como "decadentes". Elas só foram recuperadas nos anos 1960, segundo a autora do livro, mas algumas tiveram de esperar até os anos 1980 para serem reavaliadas, entre elas a citada Diana e Tuda, A Amiga das Mulheres, Encontrar-se, Quando se É Alguém e Como me Quiseres.

A explicação que a professora Martha Ribeiro dá para esse quase desprezo crítico está relacionada a uma mudança de foco: Pirandello teria se afastado da "primitiva inspiração, a de poeta da condição trágica da sociedade burguesa", para experimentar "evasões surrealistas, fugas ao irracional, na crença de uma existência superior". Os críticos desaprovaram.

Preferiam as peças da segunda fase de sua dramaturgia, que começa em 1917 com Assim É se lhe Parece, e vai até 1924, antes de Marta Abba. A autora do livro, por sua vez, resiste em dividir o autor por fases, mas concede especial importância às metáforas e aos arquétipos pessoais do último período de vida de Pirandello, o da paixão de Marta Abba, sem a qual esse teatro não existiria.

Ruiva, jovem, sensual, Marta Abba entrou no mundo de Pirandello na primavera de 1925, interpretando o papel da Enteada em Seis Personagens à Procura de Um Autor. Um ano depois, já era a diva, a santa, a heroína absoluta do dramaturgo.

Em 1926, ele concebeu sua primeira peça pensada exclusivamente para o estilo de interpretação da atriz, descrito por críticos como o de uma fera enjaulada que, acossada, pulava em frente ao antagonista e, passando a mão na longa cabeleira ruiva, deixava os espectadores sobressaltados. Esses mesmos críticos observam que hoje, depois dos cabelos cuidadosamente despenteados de Marilyn Monroe, qualquer atriz faz isso, mas, na época de Marta Abba, era absolutamente impensável.

Marta Abba não dava importância para academias de arte dramática, conta a autora no livro. Achava que ator já nasce ator, não se torna ator. E Marta, ainda por cima, era do tipo que pensava. Não ia atrás da memória emocional, ou seja, não teria jamais seguido o método de interpretação sistematizado pelo russo Stanislavski.

De personalidade forte, adaptou o teatro pirandelliano ao seu temperamento. Pirandello se derretia, mas, entre a santa e a prostituta, preferiu endeusá-la, colocando Marta num pedestal inalcançável - principalmente por se considerar velho demais para ela, sublimando, portanto, sua pulsão sexual.

Consolou-se com o papel de pai espiritual, embora com vocação incestuosa.De Diana e Tuda a Os Gigantes da Montanha, garante a autora do livro, toda a dramaturgia de Pirandello é "construída sob o signo da atriz". Essas personagens ruivas e contraditórias, segundo Martha Ribeiro, "filtram a parte proibida e inconfessável das pulsões de Pirandello sobre Abba".

Esta seria bastante reservada em relação aos desejos do dramaturgo, conclui, comparando a passagem suprimida de uma carta de Pirandello, enviada de Berlim, em 1929, com a citação distorcida da correspondência numa entrevista concedida pela atriz em 1966. Em síntese, o que Pirandello diz na carta é que gostaria de se vingar de toda a castidade que o afastara de Marta Abba. Pirandello queria que ela renunciasse à sexualidade, entregando-se de corpo e alma ao teatro. "

A única saída para viver esse amor seria transformar a própria Marta em imagem", conclui a autora. Ou em personagem, considerando que o Nobel foi o arauto de uma revolução cultural que pretendia subverter todas as teorias sobre a arte de atuar. Para Pirandello, o ator deveria se livrar da bagagem pessoal, ser possuído pelo personagem, conhecê-lo numa visão epifânica. Daí que o naturalismo não tinha a mínima chance em seu teatro.

Seus personagens são seres sujeitos a forças sobrenaturais dentro de uma narrativa propositalmente assimétrica, em que a pessoa real perde para a inventada. "O personagem pirandelliano só aparece quando se abre uma fratura entre a vida íntima e um código social", observa Mario Baratto, estudioso de sua obra.

E ela aparece logo na primeira peça que Pirandello escreveu para Marta. Em Diana e Tuda, ela fez a última, uma jovem que se oferece a um velho escultor sem saber se é por piedade ou masoquismo. Marta nem chegou a enfrentar o dilema. Manteve Pirandello distante. Trecho"Os papéis femininos do último teatro de Pirandello, concebidos sob a constelação de Marta, submetem-se, de fato, à "fascinação paterna"", dirá Ivan Pupo.

A impossibilidade de se libertar deste sentimento paterno impede que os personagens pirandellianos, dominados pelo fantasma do incesto, desenvolvam uma sexualidade satisfatória.

Ainda segundo Pupo, o escritor impõe aos personagens idealizados para a atriz uma única e terrível escolha: ou do "pai" ou de mais ninguém; mas como o amor incestuoso é condenado pelo autor, aos personagens femininos só resta a solidão ou a apatia sexual. Este é o preço a se pagar pela impossibilidade da libertação do Eros.

A vamp-virtuosa no corpo de Marta Abba, esta mulher que não se pode ter, nunca terá uma sexualidade satisfatória ou plenamente desenvolvida, ela será distante e fria, ou mesmo frígida, como foi Donata em Trovarsi; ou casta e virgem, como foi Marta de L"amica degli Mogli, ou submissa a um senhor de idade avançada que a rejeita, como Tuda ou Veroccia. E Marta Abba?

Estante

Entre os livros lançados nos últimos dois anos sobre o dramaturgo destaca-se 40 Novelas de Luigi Pirandello (Companhia das Letras). Ainda estão em catálogo: Uma Jornada (Berlendis & Vertecchia), Vestir Os Nus (Civilização Brasileira), O Marido de Minha Mulher (Odisseia), O Falecido Mattia Pascal (Nova Alexandria) e O Enxerto, O Homem, a Besta e a Virtude (Edusp).

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