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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Lançada biografia da atriz Lilian Lemmertz (São Paulo, SP)
Biografia resgata vida e obra da atriz Lilian Lemmertz
AE - Agência Estado
Um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, a atriz Lilian Lemmertz morreu precocemente, em 1986. Com apenas 48 anos de idade, Lilian estava sozinha em sua casa, no Rio. Resolvera tomar banho quando sofreu um enfarte do miocárdio. Foi encontrada pela filha, a atriz Julia Lemmertz, então com 23 anos, caída na banheira. Naquele início de junho, o Brasil vivia a euforia da Copa no México. E foi no dia 5, enquanto o País acompanhava a primeira fase da competição, que a atriz saiu de cena.
Em seu novo livro, "Lilian Lemmertz - Sem Rede de Proteção", da coleção Aplauso Especial, o jornalista Cleodon Coelho, 40 anos, atribui a esse cenário festivo o fato de a morte de Lilian ter tido pouca repercussão na época. E da memória de sua curta, porém intensa carreira ter se perdido com o passar dos anos. Ao seu lado nessa empreitada de reconstituir, de forma organizada e detalhada, a história de Lilian, ele contou com uma fiel e fundamental escudeira: Julia Lemmertz. Sem ela, o processo de pesquisa certamente teria sido muito mais árduo e com menos riqueza de informações. Ela indicou pessoas que poderiam ajudá-lo, lembrou de um verso de Luís de Camões que a mãe carregava na carteira e teve uma colaboração ainda mais definitiva. "Ela ia fazer uma reforma na casa dela e, no fundo do guarda-roupa, encontrou uma mala cheia de recortes de matérias, entrevistas e resenhas, das décadas de 60 e 70, que Lilian guardava", conta ele.
Gaúcha de Porto Alegre, Lilian Lemmertz não nasceu no seio de uma família de artistas, mas seus pais, caixeiros-viajantes, nunca se opuseram à ideia de ela tornar-se uma. Dona de um humor ácido e uma beleza clássica - acentuada pelos olhos azuis e pelo nariz arrebitado herdados do pai Hugart - ela não começou a vida profissional no palco. Essa boniteza toda, acrescida de uma elegância natural, a levou a se tornar, primeiro, uma das manequins mais conhecidas da capital gaúcha. Tinha então 18 anos e se virou musa de Rui Spohr, famoso costureiro do Rio Grande do Sul, que iniciou a carreira desenhando chapéus.
Não que ela tivesse corrido atrás dessa oportunidade. Foi descoberta na rua. "As coisas foram acontecendo na vida dela", diz o autor. O mesmo ocorreu na carreira de atriz. "Um dia, Antônio Abujamra, com quem eu fazia inglês, me apareceu com um convite para integrar o elenco do Teatro Universitário da União Estadual dos Estudantes (UEE), que iria montar À Margem da Vida. Recusei", confessou, certa vez, a própria Lilian. Em casa, ela comentou com a mãe, que, para sua surpresa, achou aquela uma ótima ideia.
"Existia preconceito com as duas profissões. Mas os pais dela não viam problema nenhum", ressalta Cleodon. A opinião da mãe foi fundamental. E Lilian estreou no palco com a peça de Tennessee Williams. Nessa nova fase da vida, a atriz conheceu Linneu Dias, que se tornaria seu marido e pai de Julia. No livro, Cleodon relembra ainda a ascensão de Lilian na cena cultural gaúcha e a importância de figuras do teatro na carreira dela, como o casal Walmor Chagas e Cacilda Becker, responsável pela mudança de Lilian, Linneu e Julia para São Paulo. Com a década de 60, vieram a consagração na peça "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", sua condição de musa do cinema de Walter Hugo Khouri e o início de seu namoro com a TV, que lhe renderia papeis marcantes, como a primeira Helena de Manoel Carlos, na novela "Baila Comigo", de 1981.
As informações são do Jornal da Tarde.
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Grupo Galpão lança livro sobre o processo criativo da trupe (São Paulo, SP)
Livro sobre parcerias do Galpão evita cabotinismo
LUCAS NEVES / DE SÃO PAULO
Um grupo de atores que busca preencher suas lacunas pelas mãos de diretores convidados, mas não tem pudor em reassumir as rédeas quando os desejos internos ficam sublimados pelo ponto de vista do "estrangeiro".
É esse o coletivo que emerge do livro "Grupo Galpão: Uma História de Encontros", de Eduardo Moreira, único ator que participou de todos os processos criativos da companhia mineira, fundada em 1982.
O volume de quase 300 páginas faz um retrospecto sem cabotinismo ou autocomplacência do trabalho com encenadores como Fernando Linares (um dos cofundadores), Eid Ribeiro, Gabriel Villela e Paulo José, cada um merecendo um capítulo. Há também seções destinadas à relação do coletivo com os diferentes saberes da construção teatral (música, cenário, texto) e com o cinema.
Em paralelo, desenha-se uma evolução das linguagens testadas pela companhia --do clown ao realismo intimista, passando pelo teatro de bonecos, de máscaras e pelo expressionismo de "Álbum de Família".
Já no primeiro segmento, dedicado a Linares, Moreira credita a saída prematura do colega (na terceira peça do Galpão) em parte a "um problema que sempre tivemos: a tendência a negligenciar o trabalho interno de direção".
Mais à frente, ao relatar um dos encontros do elenco com o polonês Jerzy Grotowski, pai do "teatro pobre" (sem grandes cenários ou pirotecnias), lembra que este acusou a falta de um líder nos fragmentos a que assistiu:
"Isso colocava um dedo na ferida da estrutura do próprio Galpão, que era e continua sendo um coletivo em que muitas vezes sobram caciques para poucos índios".
HETEROGÊNEO
Na conversa com a reportagem, Moreira diz que hoje, o grupo já é mais maduro no que tange a respeitar funções internas, mas reconhece que a rotina é muito calcada em conflitos. "Paradoxalmente, o Galpão tem essa longevidade pelo fato de ser muito heterogêneo", pondera.
Até por conta dessa heterogeneidade, sempre está a buscar algo diferente no cortejo a diretores. A Eid, pede auxílio para um banho de brasilidade e um afastamento do tom festivo das incursões na commedia dell'arte.
Já Cacá Carvalho, diretor de "Partido", abre a trilha de um teatro mínimo, que "desconfia das emoções baratas". E Paulo José faz o elogio da precisão da fala.
No livro, Moreira não se furta a tratar do fardo deixado por "Romeu e Julieta" e "A Rua da Amargura", parcerias com Villela --e os dois trabalhos de maior repercussão.
"Foi uma explosão do nosso trabalho, mas queríamos e precisávamos romper com isso. Era um peso", diz à reportagem. "Buscamos uma complexidade de influências e linguagens, que acompanha um envelhecimento. Isso requer uma mudança do teatro que fazemos. No começo, era muito físico, jogado para fora com energia. Hoje, temos de buscar outra qualidade."
O que fica, apesar da passagem dos anos, é o compromisso com o público. O autor inclusive insere críticas ao que chama de teatro (principalmente experimental) "viciado em desprezo ao senso comum e à comunicação".
"É claro que a gente precisa se desafiar, mas sem deixar de fazer com que as pessoas se sintam pertencentes àquilo", completa, na entrevista, antes de anunciar que Felipe Hirsch, Aderbal Freire Filho, Enrique Diaz e Cibele Forjaz estão na mira dos mineiros para encontros vindouros.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Imprensa Oficial lança biografia de Laura Cardoso em livro (São Paulo, SP)
Laura Cardoso: perfil da atriz sai em livro
Biografia da atriz é uma entre muitas que serão lançadas na Coleção Aplauso, na 34.ª Mostra
Patrícia Villalba - O Estado de S. Paulo
Quando encontra uma pessoa como Laura Cardoso, você só pode mesmo fazer um pensamento positivo para que chegue aos 83 anos como ela, tão empolgada com a vida e com o trabalho como atriz. Ela não tem dúvidas de que aquela coisa de sair escondida dos pais para atuar nas radionovelas da Rádio Cosmos de São Paulo deu certo, e a trajetória seguiu exitosa durante toda a vida, do rádio à TV em alta definição.
João Miguel Junior/AELaura ri ao contar como fugia de casa com a amiga Janete Clair para ir a bailes e festasEsse caminho foi revisto e narrado pela atriz à jornalista Júlia Laks, que lança nesta quinta, 28, o livro Laura Cardoso - Contadora de Histórias, mais um título da Coleção Aplauso da Imprensa Oficial. No evento, no Shopping Frei Caneca, serão lançadas outras biografias, aproveitando a 34ª Mostra Internacional de Cinema. "Saía do colégio de trancinha para a rádio e continuo na ativa com mais de 80 anos", diz ela, com indisfarçável orgulho à biógrafa.
Laura é, hoje, uma das atrizes mais requisitas da TV, que não lhe dá descanso - quando não está em personagem fixa, tratam de convidá-la para uma participação especial. Atualmente, ela é a Mariquita da novela das 6 da Globo, Araguaia, de Walther Negrão. Apenas na emissora, Laura participou de 24 novelas, a primeira delas, Brilhante, de Gilberto Braga, em 1981. "Hoje, depois de mais de 30 anos de TV Globo, torço para trabalhar com o Gilberto novamente", confessa ela.
Laura é uma das poucas profissionais do rádio que conseguiu se adaptar rapidamente à chegada da televisão, em 1950. Um dos momentos mais divertidos do livro é quando ela conta a aventura dos primeiros passos na TV e, mais adiante, sobre chegada revolucionária do videotape. "O advento modificou o nosso processo de trabalho, na medida em que nos permitiu parar a encenação para corrigir erros. E, se por um lado as pausas garantiram um produto final sem - ou com poucas - gafes, por outro, interrompiam a emoção do momento", detalha ela, para quem essa quebra da emoção, uma maneira de encenar tão diferente do teatro, foi a principal dificuldade dos atores no final dos anos 50.
Com voz grave e forte, perfeita para mulheres severas, como a Isaura de Mulheres de Areia (1993), Laura surpreende ao se mostrar uma pessoa de grande humor, que equilibra com leveza e coragem diante da vida. São muito engraçadas as histórias sobre como fugia de casa com a amiga Janete Clair, "para aproveitar os bailes, as festas". "Participamos até de um programa, onde dançávamos diante do auditório lotado as músicas que o Henrique Foréis Domingues, o Almirante, cantava", lembra ela, fazendo jus ao título do livro que é lançado hoje. "O ato de contar histórias é mesmo muito poderoso. Nessas horas, me sinto privilegiada por ser atriz. Tenho quase 70 anos de carreira e jamais escolheria outra atividade. Sou definitivamente uma pessoa do meu meio."
Coleção Aplauso - Shopping Frei Caneca. Rua Frei Caneca, 569, 4º andar, telefone 3472-2000. Hoje, a partir das 19 h.
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Livro de Sebastião Milaré analisa método de Antunes Filho (São Paulo, SP)
Sebastião Milaré
Método de formação teatral de Antunes Filho é analisado em livro
GUSTAVO FIORATTI / COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Poucos conhecem tão bem a obra de Antunes Filho quanto Sebastião Milaré.
Para escrever "Hierofania - O Teatro Segundo Antunes Filho", o autor acompanhou de perto o processo criativo do diretor por 15 anos.
Ele acabou se tornando alguém "da casa", o que lhe possibilitou decifrar detalhes do processo criativo abastecido também pelos jovens atores do CPT.
O foco do livro é justamente o desenvolvimento desse método a partir da estreia de "Macunaíma" (1978), o espetáculo em que o diretor decide romper com uma sólida carreira em suas próprias palavras "comercial".
Nos anos 80, Antunes passa a criar, sob a tutela do Sesc, sempre em sintonia com um projeto educativo e de formação do ator.
Milaré se debruça sobre a técnica corporal e vocal que deu origem a espetáculos antológicos, como "Velha Nova Estória" (1991), "Vereda da Salvação" (1964/1993), "Gilgamesh" (1995) e "Medeia" (2001/2002).
A respiração e o trabalho com a voz despontam como um dos tópicos principais.
O livro não se aprofunda em questões estruturais dos espetáculos, passa apenas pela superfície de conceitos como cenografia, figurino e o coro como opção estética.
"Mas essas questões acabam aparecendo, uma vez que o método de Antunes tem uma forte base em um processo de individuação ideológica e cultural."
HIEROFANIA - O TEATRO SEGUNDO ANTUNES FILHO
AUTOR Sebastião Milaré
EDITORA Edições Sesc-SP
QUANTO R$ 85 (397 págs.)
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Teatrando Atrás do Pano, livro lançando no Museu da República (RJ)
Museu da República, o Catete, local do lançamento do livro
Histórias de amor ao teatro brasileiro
No dia 27 de julho, a partir das 18h30, Paulo Roberto Oliveira lança, na Livraria do Museu da República, no Rio de Janeiro, seu terceiro livro, Teatrando atrás do pano, com histórias dos palcos, das coxias e das plateias.
Depois de 35 anos dedicados ao teatro, seja como administrador, diretor ou, simplesmente, como um apaixonado, Paulo Roberto usou
a sua habilidade de ouvir (o ator Rogério Fróes, o contra-regas J. Maia, o humorista Ari Toledo e tantos outros) para contar histórias que se passaram há oitenta, cinquenta, dez anos ou a apenas dois, três anos atrás. Histórias de celebridades atuais e de famosos artistas do
passado. Não importa. Neste livro, todos têm lugar de destaque: o ator, a estrela, o bilheteiro, o contra-regra, o músico, a camareira, o humorista e até o público...
Em Teatrando atrás do pano, o leitor vai saber por que o apelido do ator Milton Moraes era Galocha; qual foi a inspiração de Geraldo Pereira para compor Falsa Baiana, quem foi o culpado por deixar totalmente vazia a plateia do Teatro João Caetano numa sexta-feira à noite.
Vai descobrir também o que a xará da atriz Irene Ravache vendia; qual o nome do show que a bilheteira tinha vergonha de falar, o que a polícia pensou de Jorge Doria, minutos antes de entrar no palco para encenar Gaiola das Loucas e até quem teve que ensinar Maitê Proença
a fazer café no saco de pano.
São histórias do cotidiano, quase todas muito engraçadas, às vezes singelas, às vezes tristes. Tem história complicada, história romântica, história de superação. Tem até história que
parece mentira, mas não é.
Teatrando atrás do pano é isso:
mais de 50 histórias de amor ao teatro brasileiro.
128 páginas - Formato 14 x 21 cm
ISBN 978-85-7812-032-0.
R$ 30,00
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Livros do ator, diretor e crítico teatral Alberto Guzik
Veja alguns dos livros publicados por Alberto Guzik
pela Livraria da Folha
Alberto Guzik, 66, morreu neste sábado (26) em São Paulo. Fundador e diretor pedagógico da SP Escola de Teatro e nome importante da cena paulistana, ele sofria de câncer de estômago e estava internado no Hospital Santa Helena desde fevereiro.
Entre suas atividades dando aula, dirigindo, atuando e escrevendo críticas teatrais, Guzik publicou vários livros. Confira abaixo alguns de seus trabalhos literários.
"TBC: Crônica de um Sonho" - Editada pela Perspectiva em 1986, a obra conta a história do Teatro Brasileiro de Comédia. Usando sua prosa de escritor, Guzik traz uma visão lúcida e empática do que foi esta companhia.
"O Que é Ser Rio, e Correr?" - Neste livro o autor mescla realismo e fluxo de consciência ao narrar a vida de pessoas que estão em situações angustiantes. A publicação foi lançada pela editora Iluminuras, em 2002.
"Cultura e Elegância" - Nesta coletânea da Editora Contexto, lançada em 2005, diversos autores se reuniram para responder com pequenos textos à seguinte pergunta: o que se deve fazer e o que é preciso conhecer para ser uma pessoa culta e elegante?. Guzik foi um deles.
"Os Satyros" - Após conviver diariamente com um dos grupos de teatro mais ativos, polêmicos e premiados do Brasil, Guzik relatou a trajetória da companhia "Os Satyros" neste livro publicado pela Imprensa Oficial em 2006. Cotação: fraco.
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
Livro reúne 11 peças de Leilah Assumpção
Todas as mulheres de Leilah Assumpção
Maria Eugênia de Menezes / O Estado de S.Paulo
Dor transmutada. Em sua nova peça, Leilah inspira-se em um trauma para falar de beleza
Leve. Ficou muito leve", comemora Leilah Assumpção, jogando o livro de um lado para o outro. "Acho que vai dar até para ler na cama." Para desavisados, pode mesmo parecer estranho que a dramaturga consiga achar delgado um calhamaço de mais de 600 páginas.
Mas, se considerarmos o conteúdo da obra -11 peças, escritas ao longo de 40 anos de carreira, dá até para entender o espanto de Leilah. "Imaginava que o livro sairia tão imenso que seria mais uma obra de pesquisa, para estudantes de teatro. Mas, acho que vamos conseguir vender para o público também."
Com lançamento marcado para hoje, o volume reúne desde seu primeiro texto, Vejo um Vulto na Janela, Me Acudam Que Eu Sou Donzela, criado ainda sob o impacto do golpe militar, em 1964, até o trabalho mais recente, Ilustríssimo Filho da Mãe, de 2008.
A única peça a ficar de fora da seleção foi Seda Pura e Alfinetadas, concebida sob encomenda para Clodovil. "O texto até fez bastante sucesso na época", ela explica. "Mas a intenção era dar ao livro uma coerência, revelar a minha temática."
É difícil falar no teatro de Leilah sem ligá-lo à revolução feminista que se insinuava nos anos 60. A mulher que recusava o lugar de esposa, que assumia o próprio desejo, adquiria voz e revia sua relação com o sexo oposto.
Todas essas são nuances quase onipresentes em seus textos e, não por acaso, sua dramaturgia é saudada como retrato de uma geração. "Fala Baixo, Senão Eu Grito fez mais pelo feminismo do que qualquer passeata ou queima de sutiã", definiu Ilka Marinho Zanotto, no Dicionário do Teatro Brasileiro.
Foi com a história da solitária Mariazinha, uma mulher despertada do seu estado de anestesia por um ladrão, que a autora seria descoberta. Ainda hoje seu trabalho mais conhecido, o texto mereceu dezenas de montagens, aqui e no exterior, e também serviria para revelar o talento dramático de Marília Pêra.
À época, a atriz estava presa ao rótulo de intérprete de musicais e foi imenso o estupor causado pela sua desenvoltura ao construir a personagem de uma solteirona em conflito.
Na passarela. Antes de se lançar como escritora, Leilah chegou a arriscar-se como atriz. Estudou com Eugênio Kusnet, vivia nas coxias do teatro Oficina, fez parte do elenco da mítica Vereda da Salvação, de Antunes Filho. "Mas não tinha talento nenhum. Era péssima." Com mais desenvoltura, experimentou também as passarelas, desfilando como manequim de alta-costura. E a experiência deve ajudá-la a compor sua próxima peça.
"Estou escrevendo sobre a beleza", conta. "Eu, que já fui linda, me descobri amada no meu mais feio." Leilah refere-se a uma infecção que lhe desfigurou o rosto e a levou a ficar mais de um ano sem sair de casa. "Não faço obras biográficas, mas parto sempre de uma emoção. Minha tarefa agora é transformar essa dor ."
QUEM É?
LEILAH ASSUMPÇÃO, dramaturga
Nascida em 1943 em Botucatu, é filha de educadores e foi registrada como Maria de Lourdes Torres de Assumpção. Iniciou a carreira como dramaturga com a encenação da peça Fala Baixo, Senão Eu Grito, em 1969. Também escreveu para televisão e teve seus textos montados em diversos países.
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Domingos de Oliveira fala sobre o seu Teatro em livro

Dramaturgo comenta suas peças em biografia
da Livraria da Folha
Domingos Oliveira comenta suas peças e narra carreira no teatro
Domingos Oliveira reuniu nove peças que encenou nos últimos nove anos em "Minha Vida no Teatro", que é lançado este mês pela editora Leya. Além dos scripts, o texto "Do Tamanho da Vida", que apresenta suas observações sobre o teatro, complementa o volume.
A introdução, também assinada pelo autor, é uma bem-humorada visão de sua trajetória profissional. Cada peça é apresentada por comentários do dramaturgo que contextualizam a montagem, revelam o processo de criação do texto, a escolha dos atores e outros detalhes.
Entre os textos estão "Confronto", analisando as relações do poder com o crime; "Apocalipse", em que narra crise existencial de Deus; "Profissão Âncora", em homenagem ao escritor Oduvaldo Viana Filho; e "Confissões das Mulheres de 40".
Aos 73 anos, quase 50 deles dedicados ao teatro, seu livro não consegue separar a sua vida pessoal da carreira. Enquanto apresenta as suas peças, narra diversas histórias como sua briga com a atriz Marília Pêra, a amizade com o escritor e também diretor Vianinha, a peça escrita especialmente para Sérgio Britto.
*
O dramaturgo Domingos Oliveira assina "Minha vida no teatro". O autor, que encenou nove peças nos últimos dez anos, decidiu publicá-las juntamente com o texto "Do tamanho da vida", que registra suas observações sobre o teatro, após quase 50 anos de militância artística.
"Minha vida no teatro" - uma brincadeira confessa com o livro do autor russo Stanislavsky - começa com uma breve e bem-humorada introdução na qual o autor traça um esboço de sua trajetória profissional. Em seguida apresenta "Confronto", peça que analisa as relações do poder com o crime. Todas as peças são precedidas por comentários de Domingos que contextualizam a montagem, revelam o processo de criação do texto, a escolha dos atores e outros detalhes.
O segundo scritpt é o de "Apocalipse", texto que narra uma crise existencial de Deus, nas palavras do autor. A comédia "Largando o escritório", uma crônica sobre a classe média, dá sequência ao livro e antecede "Rita formiga", texto inspirado na amiga e atriz Maria Gladys.
A peça "Profissão âncora", baseada em "Corpo a Corpo", de Oduvaldo Viana Filho, é uma homenagem de Domingos ao autor, morto precocemente aos 38 anos. Já as "Confissões das mulheres de 40" evocam a lembrança de trabalhos anteriores - as confissões de adolescente e as das mulheres de 30 - e posteriores: a peça deu origem ao filme "Feminices".
Também estão presentes no livro as peças "Jung e eu", escrita sob encomenda para Sérgio Brito e "Todo mundo tem problemas (sexuais)", um dos grandes sucessos da carreira de Domingos Oliveira. Completam a obra as reflexões do dramaturgo sobre sua arte, publicadas anteriormente sob o título "Do tamanho da vida".
Domingos afirma que nunca pensou em escrever uma biografia, pois falar sobre sua vida externa ao teatro seria "quase como mentir". No entanto, é quase impossível separar uma coisa da outra no percurso desse artista de 73 anos de vida, quase 50 de carreira. Assim, entre um script e outro, acompanhamos deliciosas histórias entre elas a briga (e as pazes) do diretor com a atriz Marília Pêra, a amizade com o escritor e também diretor Vianinha, a peça escrita especialmente para Sérgio Britto (porque não havia personagens para um ator de 83 anos). Episódios que, juntamente com a produção de Domingos, compõem a história do teatro brasileiro.
Minha Vida no Teatro
Autor: Domingos Oliveira
Editora: Leya
Páginas: 416
Quanto: R$ 59,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090
ou pelo site da Livraria da Folha: http://livraria.folha.com.br/catalogo/1146231/minha-vida-no-teatro
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
O Teatro e Eu, autobiografia de Sergio Britto (Rio de Janeiro e São Paulo)
Sergio Britto lembra 65 anos de carreira em 'O Teatro e Eu'
Aos 85 anos, ator continua no palco e estreia nova peça em junho: 'Recordar É Viver' de Eduardo Tolentino
Ubiratan Brasil - O Estado de S. Paulo
O papel mais realista de sua carreira, o ator Sergio Britto enfrentou com a caneta na mão - durante seis meses, ele ocupou suas manhãs a se dedicar à escrita de O Teatro e Eu, autobiografia que será lançada hoje no Rio (na Livraria da Travessa) e segunda-feira em São Paulo (na Livraria Cultura do Conjunto Nacional). Trata-se de uma corajosa revisão de quem chegou aos 86 anos de idade, dos quais 65 de carreira na televisão, cinema e, principalmente, no teatro. Sem rodeios ou divagações. "Mas, se eu não tivesse escrito o primeiro capítulo exatamente como saiu, certamente o livro não teria nascido", conta ele ao Estado. "Cheguei a reescrevê-lo três vezes."
De fato, logo no primeiro parágrafo, Britto descreve como aceitou, em um impulso, trabalhar como ator em teatro universitário - era 1945 e ele, filho de pais amorosíssimos ("Minha mãe, Alzira, era dominadora, não da maneira cruel de Amanda de O Zoológico de Vidro, de Tennessee Williams, mas tão asfixiante quanto"), sentia a necessidade de se libertar. E, apesar de seguir a recomendação paterna e estudar Medicina, viu no palco o caminho da salvação.
Assim, aos 22 anos, faz sua primeira experiência teatral, interpretando Benvólio na montagem de Romeu e Julieta. Era o início de uma carreira marcante, participando de grandes encenações nas décadas seguintes.
A decisão, no entanto, não resolveu totalmente o problema. Britto sentia-se ainda preso à família, agora por motivos mais delicados. Ele explica que, até aquela época da iniciação teatral, tivera frustradas experiências sexuais. O problema chegara a um ponto insuportável que, novamente por impulso, ele cortou os pulsos, quando estava sozinho no quarto de hotel onde a família passava as férias. "Quando fiz isso, não pensei em nada, não houve desespero ou revolta contra alguma coisa que me incomodava e de que eu quisesse me livrar", escreve. "Perdi muito sangue, escorreguei no chão e ali fiquei, até que o meu amigo, a minha primeira paixão, chegou para me levar à praia."
Ele garante que não havia intenção de se matar. "Fora tudo um ato de teatro, o meu primeiro momento teatral de uma certa intensidade." Também foi um passo decisivo na afirmação de seu homossexualismo, opção que fora confrontada pelo pai, meses depois. O ator lembra que estava prestes a conquistar a desejada liberação. O momento definitivo aconteceu quando se formou em Medicina, em 1948. A formatura ocorreu em 2 de janeiro. Quatro dias depois, ele subiu ao palco como Horácio, na histórica encenação de Hamlet, que consagrou outro iniciante, Sergio Cardoso, no papel-título. "Esse não à medicina foi o definitivo cortar os pulsos, a libertação."
Vigor e coragem em cena - Memória é como poeira, acredita Sergio Britto. A camada mais inferior está assentada e praticamente nada se perde. Já a de cima é solta, facilmente levada pelo vento. "Como minhas lembranças do teatro são sólidas, precisas, não precisei fazer nenhuma pesquisa nem consultar anotações." O resultado é um impressionante passeio por boa parte da história do teatro brasileiro a partir da segunda metade do século passado.
Assim, aos pesquisadores, O Teatro e Eu oferece mais detalhes sobre a criação e os bastidores dos grupos e espaços cênicos mais importantes do País - como o Teatro Universitário, Teatro Brasileiro de Comédia, Arena, Teatro dos Doze, companhia de Maria Della Costa, Teatro dos Sete. Aos atores, Britto revela seus principais desafios, como os problemas de audição e com a voz, além dos obstáculos financeiros enfrentados especialmente quando a arte em geral sofreu com corte de verbas durante a presidência de Fernando Collor de Melo (1990-92). E, ao público em geral, detalha momentos particulares de sua vida.
"Decidi contar tudo na primeira pessoa, como uma confissão completa", comenta Britto, para quem ser ator exige uma paixão absoluta. "É necessário que o teatro seja a coisa mais importante de sua vida; se assim não for, teatro não é seu lugar."
A dedicação foi compartilhada por colegas com idêntica intensidade. É o caso de Sérgio Cardoso (1925-1972), ator enérgico em suas criações e que encenou Hamlet em 1948 ao lado de Britto. "Sérgio era frágil; depois me falou de um possível sopro no coração", narra. "Quando se emocionava no final dos espetáculos, desmaiava, e isso virou de uma certa forma um cacoete emocional." A morte repentina de Cardoso, quando fazia uma novela de TV, o deixou profundamente atordoado.
Ao longo da carreira, Sergio Britto descobriu as diversas camadas do fazer teatral. Ele conta que, em um primeiro momento, o ator acredita erroneamente saber de tudo; em seguida, descobre o que desconhece; finalmente, a terceira fase, mais realista, em que percebe a existência do que ainda precisa aprender e, pior, daquilo que não vai saber nunca, a terrível constatação das limitações. "Já passei por todas essas fases", observa. "Hoje, tenho a pretensão de saber quase tudo, mas nem por isso me sinto capaz de enfrentar qualquer texto, qualquer tipo de espetáculo."
Desafios. Mesmo assim, continua se aventurando. Como aconteceu na montagem de A Última Gravação de Krapp e Ato Sem Palavras 1, de Samuel Beckett, realizada no ano passado. A fragilidade imposta pela idade não foi capaz de impedir que ele exibisse vigor físico para expressar com imagens corporais a ideia da submissão do ser humano a um poder invisível. "Foi um dos melhores trabalhos da minha carreira, senti-me desconstruído em cena", comenta, lembrando ainda que, dos 16 prêmios conquistados, 6 foram por obras de Beckett.
A vida também é marcada por frustrações. Britto lembra sua tristeza por não ter interpretado um dos papéis que mais o apaixonam: Iago, de Otelo de Shakespeare. "Aquela vilania me impressiona e me seduz, mas nunca consegui vivê-lo no palco, o que já não será mais possível, por conta da minha idade", lamenta-se.
Engana-se, porém, quem vê sentimentalismo em suas palavras. Britto continua um homem de ação. Como prova, participa de Recordar É Viver, peça dirigida por Eduardo Tolentino, que estreia no dia 2, no Rio. "O teatro ainda me revigora."
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Ismene redimida, novo livro de Teoria e Prática teatral (CELCIT)
Centro Latinoamericano de Creación e Investigación Teatral
1975-2010.
35 años al servicio del teatro argentino y latinoamericano
http://www.celcit.org.ar/
Publicaciones
Un nuevo libro en la colección Teatro: Teoría y práctica de http://www.celcit.org.ar/
Ismene redimida
La persistencia de la memoria: violencia política, memoria histórica y testimonio en Antígona, de José Watanabe y el Grupo Yuyachkani
Gino Luque Bedregal
Partiendo de una concepción del teatro en tanto práctica cultural y espacio político por excelencia, el estudio se pregunta qué puede hacer éste frente a la violencia cuando ésta se convierte en una práctica sistemática y generalizada en una sociedad determinada. Se analizan las relaciones entre teatro, trauma colectivo y memoria histórica en un contexto de violencia política, a partir del estudio de dos montajes de “Antígona”, de José Watanabe y el Grupo Yuyachkani: su estreno en Lima (2000) y su reposición en Huanta (2001). El análisis del texto en sus contextos originales de recepción permite reflexionar desde nuevas perspectivas sobre un problema relacionado con el conflicto armado interno ocurrido en Perú entre 1980 y 2000: la responsabilidad ética y política de los sobrevivientes.
Gino Luque Bedregal (Lima, 1979). Doctor en Artes Escénicas por la Universidad Autónoma de Barcelona (UAB) y Licenciado en Literatura Hispánica por la Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP), donde se desempeña como docente en asignaturas vinculadas al área de teatro. Estudió interpretación en los talleres de Roberto Ángeles y Alberto Isola, en Lima, y dramaturgia en el Aula de Teatro de la UAB, en el Instituto del Teatro de Barcelona y en la Sala Beckett. Ha dirigido “Las paredes”, de Griselda Gambaro, y “Pactos”, de Christopher Hampton. Como dramaturgo, es autor de “Los número seis” (ganadora del I Concurso de Dramaturgia Peruana), “Desencuentros y Falsarios” (ganadora de una beca del Fondo Iberescena a la creación dramatúrgica).
Podés descargarlo, sin cargo alguno, desde la sección Publicaciones de http://www.celcit.org.ar/ . Además, podés bajar los últimos 20 números de la revista Teatro/CELCIT, los más de 300 textos dramáticos de la Colección Dramática Latinoamericana y los otros seis volúmenes de la Colección Teatro: Teoría y práctica.
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Aprender a Ver, um livro sobre a arte de iluminar a cena
Abaixo e em anexo informações sobre o lançamento do livro "Aprender a Ver, A Essência do Design de Iluminação, de Howard Brandson, pela Editora de Maio, com tradução do meu querido amigo prof. Paulo Scarazzato.
Imperdível!!!!
De Maio Editora lança livro
Aprender a Ver, A Essência do Design da Iluminação
Destinado a arquitetos, lighting designers e profissionais ligados à área de
iluminação , livro lançado pela De Maio Comunicação e Editora, de autoria
de Howard Brandston, tem tradução especializada do arquiteto Paulo Scarazzato
Aprender a Ver, a Essência do Design da Iluminação é o novo lançamento da De Maio Comunicação e Editora. O livro, de autoria de Howard Brandston e tradução do arquiteto Paulo Scarazzato, terá seu lançamento oficial durante a Expolux 2010, que acontece junto com a Feicon (Feira Internacional da Construção) no Pavilhão de Exposições do Anhembi, de 6 a 10 de abril.
Trata-se da versão em português do título “Learning to See, a Matter of Light”, publicado em 2008 pelo Illuminating Engineering Society of North America (IES), respeitada instituição que há mais de 100 anos dedica-se à produção de conhecimento na área de iluminação.
O livro de Howard M. Brandston aborda questões conceituais, de um modo inovador, ao colocar, com autoridade, os aspectos mais relevantes do design da iluminação. Brandston ensina como perceber e utilizar a luz, conhecer suas principais propriedades; mostra o seu impacto no atendimento às suas funções de visibilidade, conforto, composição e atmosfera. Destinado a profissionais da área, estudantes e professores, também é de fácil entendimento para leigos interessados no assunto.
“Este livro é uma joia rara na literatura temática sobre iluminação, tão escassa na língua portuguesa. Fala do essencial de modo simples e direto, mas com rigor e precisão. Sua riqueza de conhecimento, fruto da vivência de mais de 50 anos do autor na área, é compartilhada sem reservas com os leitores”, resume Paulo Scarazzato, arquiteto especializado em iluminação que traduziu a obra.
Para o lighting designer Howard Brandston, ter seu livro publicado em outra língua foi uma recompensa totalmente inesperada. “Contemplar o trabalho de uma vida e registrá-lo num livro foi uma aventura apaixonante em retribuição a todos os que me deram muitas oportunidades para realizá-lo. Ver este meu trabalho apreciado de uma maneira que nunca imaginava ser possível, por meio de uma tradução e para outra cultura, é uma realização realmente surpreendente, que está além da minha capacidade de descrevê-la”, diz Brandston.
Fundamental para exímia tradução da obra, Brandston ressalta o trabalho e conhecimento de Paulo Scarazzato. “Paulo é um ser humano perspicaz e só tenho a agradecer sua compreensão criteriosa e o brilhantismo técnico conferido a esta tradução. Com nobre cavalheirismo, ele corrigiu alguns erros do livro original e me ajudou a polir o que eu esperava que fosse a principal parte do meu legado para a iluminação. Estou certo de que, com esta publicação brasileira, meus esforços, ao longo de tantos anos, sobreviverão numa perspectiva mais ampla do que jamais imaginei”, opina o autor.
Aprender a Ver, a Essência do Design da Iluminação amplia a atuação da De Maio Comunicação e Editora, que há sete anos dedica-se ao mercado de iluminação publicando a Revista Lume Arquitetura, pioneira no segmento. “A publicação da obra de Brandston, com a impecável tradução de Scarazzato, vem coroar nossa missão de contribuir de forma consistente e significativa para a formação e a atividade dos profissionais da área de iluminação. Temos orgulho imenso de entregar para nosso leitor esta valiosa obra”, afirma Maria Clara de Maio, diretora da De Maio e editora da revista Lume Arquitetura.
Howard Brandston virá ao Brasil para o lançamento do livro. Estará presente na Expolux, junto com Paulo Scarazzato, para duas tardes de autógrafos programadas para os dias 7 e 8 de abril, das 14h00 às 17h00, no estande localizado na Rua A, número 35.
Sobre o autor: Howard M. Brandston começou sua carreira em iluminação no teatro de Nova York. Estudou iluminação cênica na Brooklin College e, antes de fundar sua própria empresa em 1966, foi designer de várias outras nas áreas de produtos e serviços de iluminação, entre elas a Century Lighting Inc., onde foi assistente de Stanley McCandless, um dos pioneiros do design de iluminação. Com mais de 50 anos de experiência em design de iluminação, engenharia e eletrônica, tem em seu currículo a iluminação de mais de 3 mil projetos comerciais, institucionais, residenciais e governamentais.
Sobre o tradutor: Paulo Sergio Scarazzato é arquiteto formado pela FAUUSP. Desde o início de carreira, divide seu tempo entre atividades como profissional liberal e docência. Atua como professor doutor nos cursos de graduação e de pós-graduação em arquitetura e urbanismo na FAUUSP e na UNICAMP, e nos cursos de graduação em arquitetura e urbanismo da PUC-Campinas. Na área de iluminação, seu portfólio contempla, entre outros, projetos para três edifícios religiosos, um centro cultural e um museu – todos tombados como patrimônio histórico; projeto para o Terminal Lapa de Ônibus Urbanos – um dos projetos que representou a arquitetura brasileira no ano Internacional do Brasil na França, em 2005; projeto para uma UTI neonatal, auditórios, centros de convenções e hotel.
Título: Aprender a ver, A Essência do Design da Iluminação
Autor: Howard Brandston
Tradutor: Paulo Scarazzato
Editora: De Maio Comunicação e Editora
Formato: 13,0 x 21,0 cm
Páginas: 168
Preço: R$ 70,00 + frete
ISBN: 978-85-63292-00-1
http://www.aprenderaver.com.br/
Observação: Imagem em alta resolução disponível para download no site
Informações adicionais:
Fernando Franco
contato@aprenderaver.com.br
Imperdível!!!!
De Maio Editora lança livro
Aprender a Ver, A Essência do Design da Iluminação
Destinado a arquitetos, lighting designers e profissionais ligados à área de
iluminação , livro lançado pela De Maio Comunicação e Editora, de autoria
de Howard Brandston, tem tradução especializada do arquiteto Paulo Scarazzato
Aprender a Ver, a Essência do Design da Iluminação é o novo lançamento da De Maio Comunicação e Editora. O livro, de autoria de Howard Brandston e tradução do arquiteto Paulo Scarazzato, terá seu lançamento oficial durante a Expolux 2010, que acontece junto com a Feicon (Feira Internacional da Construção) no Pavilhão de Exposições do Anhembi, de 6 a 10 de abril.
Trata-se da versão em português do título “Learning to See, a Matter of Light”, publicado em 2008 pelo Illuminating Engineering Society of North America (IES), respeitada instituição que há mais de 100 anos dedica-se à produção de conhecimento na área de iluminação.
O livro de Howard M. Brandston aborda questões conceituais, de um modo inovador, ao colocar, com autoridade, os aspectos mais relevantes do design da iluminação. Brandston ensina como perceber e utilizar a luz, conhecer suas principais propriedades; mostra o seu impacto no atendimento às suas funções de visibilidade, conforto, composição e atmosfera. Destinado a profissionais da área, estudantes e professores, também é de fácil entendimento para leigos interessados no assunto.
“Este livro é uma joia rara na literatura temática sobre iluminação, tão escassa na língua portuguesa. Fala do essencial de modo simples e direto, mas com rigor e precisão. Sua riqueza de conhecimento, fruto da vivência de mais de 50 anos do autor na área, é compartilhada sem reservas com os leitores”, resume Paulo Scarazzato, arquiteto especializado em iluminação que traduziu a obra.
Para o lighting designer Howard Brandston, ter seu livro publicado em outra língua foi uma recompensa totalmente inesperada. “Contemplar o trabalho de uma vida e registrá-lo num livro foi uma aventura apaixonante em retribuição a todos os que me deram muitas oportunidades para realizá-lo. Ver este meu trabalho apreciado de uma maneira que nunca imaginava ser possível, por meio de uma tradução e para outra cultura, é uma realização realmente surpreendente, que está além da minha capacidade de descrevê-la”, diz Brandston.
Fundamental para exímia tradução da obra, Brandston ressalta o trabalho e conhecimento de Paulo Scarazzato. “Paulo é um ser humano perspicaz e só tenho a agradecer sua compreensão criteriosa e o brilhantismo técnico conferido a esta tradução. Com nobre cavalheirismo, ele corrigiu alguns erros do livro original e me ajudou a polir o que eu esperava que fosse a principal parte do meu legado para a iluminação. Estou certo de que, com esta publicação brasileira, meus esforços, ao longo de tantos anos, sobreviverão numa perspectiva mais ampla do que jamais imaginei”, opina o autor.
Aprender a Ver, a Essência do Design da Iluminação amplia a atuação da De Maio Comunicação e Editora, que há sete anos dedica-se ao mercado de iluminação publicando a Revista Lume Arquitetura, pioneira no segmento. “A publicação da obra de Brandston, com a impecável tradução de Scarazzato, vem coroar nossa missão de contribuir de forma consistente e significativa para a formação e a atividade dos profissionais da área de iluminação. Temos orgulho imenso de entregar para nosso leitor esta valiosa obra”, afirma Maria Clara de Maio, diretora da De Maio e editora da revista Lume Arquitetura.
Howard Brandston virá ao Brasil para o lançamento do livro. Estará presente na Expolux, junto com Paulo Scarazzato, para duas tardes de autógrafos programadas para os dias 7 e 8 de abril, das 14h00 às 17h00, no estande localizado na Rua A, número 35.
Sobre o autor: Howard M. Brandston começou sua carreira em iluminação no teatro de Nova York. Estudou iluminação cênica na Brooklin College e, antes de fundar sua própria empresa em 1966, foi designer de várias outras nas áreas de produtos e serviços de iluminação, entre elas a Century Lighting Inc., onde foi assistente de Stanley McCandless, um dos pioneiros do design de iluminação. Com mais de 50 anos de experiência em design de iluminação, engenharia e eletrônica, tem em seu currículo a iluminação de mais de 3 mil projetos comerciais, institucionais, residenciais e governamentais.
Sobre o tradutor: Paulo Sergio Scarazzato é arquiteto formado pela FAUUSP. Desde o início de carreira, divide seu tempo entre atividades como profissional liberal e docência. Atua como professor doutor nos cursos de graduação e de pós-graduação em arquitetura e urbanismo na FAUUSP e na UNICAMP, e nos cursos de graduação em arquitetura e urbanismo da PUC-Campinas. Na área de iluminação, seu portfólio contempla, entre outros, projetos para três edifícios religiosos, um centro cultural e um museu – todos tombados como patrimônio histórico; projeto para o Terminal Lapa de Ônibus Urbanos – um dos projetos que representou a arquitetura brasileira no ano Internacional do Brasil na França, em 2005; projeto para uma UTI neonatal, auditórios, centros de convenções e hotel.
Título: Aprender a ver, A Essência do Design da Iluminação
Autor: Howard Brandston
Tradutor: Paulo Scarazzato
Editora: De Maio Comunicação e Editora
Formato: 13,0 x 21,0 cm
Páginas: 168
Preço: R$ 70,00 + frete
ISBN: 978-85-63292-00-1
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terça-feira, 23 de março de 2010
Livro de Milton Bonfante sobre Iluminação Cênica
LEIA O LIVRO QUE CONTA A HISTÓRIA DE UM MOVIMENTO CULTURAL LIGADO A TECNOLOGIA TEATRAL.
Título: Bate-Papo sobre Iluminação Cênica
Sub-título: A morte veio em 7 de abril
Autor: Milton Bonfante Piedade
Editora: Signás
Ano: 2008
Cidade: São Paulo/SP
Direitos autorais e de comercialização: do autor
Miolo: Papel offset 90 gr, 14 x 21 cm, 4 x 4 cores, 296 páginas
Preço de capa: desconto de 100% para os leitores do Fórum
Distribuição: NPA produções
Contato: Luis Felipe lihpe@terra.com.br
O livro investiga o final de um movimento cultural que havia encantado o teatro brasileiro a partir de 2004. Depois de uma exuberante produção cultural incluindo o I Congresso Brasileiro de Iluminação Cênica e a criação de uma Associação Nacional o grupo mudou sede social, diretoria e desapareceu do cenário cultural brasileiro. Quem foram os autores dessa morte anunciada? Porque houve a mudança de diretoria e de sede? Porque as pessoas que saíram se calaram? No livro você conhecerá a história da união de pessoas que tinham como interesse a Iluminação Cênica e trabalharam com muito empenho para que um sonho se materializasse. O movimento nacional deixou de existir, mas mostrou um possivel caminho para retomada do projeto.
Título: Bate-Papo sobre Iluminação Cênica
Sub-título: A morte veio em 7 de abril
Autor: Milton Bonfante Piedade
Editora: Signás
Ano: 2008
Cidade: São Paulo/SP
Direitos autorais e de comercialização: do autor
Miolo: Papel offset 90 gr, 14 x 21 cm, 4 x 4 cores, 296 páginas
Preço de capa: desconto de 100% para os leitores do Fórum
Distribuição: NPA produções
Contato: Luis Felipe lihpe@terra.com.br
O livro investiga o final de um movimento cultural que havia encantado o teatro brasileiro a partir de 2004. Depois de uma exuberante produção cultural incluindo o I Congresso Brasileiro de Iluminação Cênica e a criação de uma Associação Nacional o grupo mudou sede social, diretoria e desapareceu do cenário cultural brasileiro. Quem foram os autores dessa morte anunciada? Porque houve a mudança de diretoria e de sede? Porque as pessoas que saíram se calaram? No livro você conhecerá a história da união de pessoas que tinham como interesse a Iluminação Cênica e trabalharam com muito empenho para que um sonho se materializasse. O movimento nacional deixou de existir, mas mostrou um possivel caminho para retomada do projeto.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Instituto Chiquinha Gonzaga lança livro de dramaturgias, RJ
INSTITUTO CULTURAL CHIQUINHA GONZAGA
Convida para o lançamento do livro I CICLO DE LEITURAS CHIQUINHA GONZAGA - no dia 24 de fevereiro de 2010 com os textos lidos no ciclo de leituras dramatizadas realizado em julho e agosto de 2009, no Teatro Princesa Isabel.
Autores:
Lula Basto
Daltro Ribeiro
Ewa Procter
Hersch W. Basbaum
Raimundo Alberto
Ricardo Meirelles
Maria Helena Kühner
e Sérgio Fonta.
Capa de JOSÉ DIAS
Coordenação geral de ORLANDO MIRANDA
Local: Livraria Mário de Andrade, Rua da Imprensa- Palácio Gustavo Capanema – Centro - Rio de Janeiro, a partir das 18:00 h., com a participação musical de Clarice Kamliot (teclado) e Kiko Chávez (violão).
No mesmo evento será lançado o livro COLETÂNEA ARTE & EDUCAÇÃO, da Escolinha de Arte do Brasil.
Convida para o lançamento do livro I CICLO DE LEITURAS CHIQUINHA GONZAGA - no dia 24 de fevereiro de 2010 com os textos lidos no ciclo de leituras dramatizadas realizado em julho e agosto de 2009, no Teatro Princesa Isabel.
Autores:
Lula Basto
Daltro Ribeiro
Ewa Procter
Hersch W. Basbaum
Raimundo Alberto
Ricardo Meirelles
Maria Helena Kühner
e Sérgio Fonta.
Capa de JOSÉ DIAS
Coordenação geral de ORLANDO MIRANDA
Local: Livraria Mário de Andrade, Rua da Imprensa- Palácio Gustavo Capanema – Centro - Rio de Janeiro, a partir das 18:00 h., com a participação musical de Clarice Kamliot (teclado) e Kiko Chávez (violão).
No mesmo evento será lançado o livro COLETÂNEA ARTE & EDUCAÇÃO, da Escolinha de Arte do Brasil.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
LIVRO DE TEATRO / Instituto Cultural Chiquinha Gonzaga, RJ
No próximo dia 24 de fevereiro, uma quarta-feira, será lançado o livro que contém as oito peças de autores sócios do Instituto Cultural Chiquinha Gonzaga que foram lidas em julho e agosto de 2009, no Teatro Princesa Izabel, Rio de Janeiro.
Os autores, cada um com uma peça publicada neste livro, são Lula Basto, Daltro Ribeiro, Ewa Procter, Raimundo Alberto, Ricardo Meirelles, Hersch Basbaum, Maria Helena Kuhner e Sérgio Fonta.
O lançamento será na Livraria Mário de Andrade à Rua da Imprensa - Palácio Capanema, Centro, Rio de Janeiro, a partir das 18:00 horas. A publicação foi feita com o apoio da FUNARTE.
Na mesma ocasião, será lançado o livro da Escolinha de Arte do Brasil, dirigida por Orlando Miranda.
Esperamos contar com a sua presença neste evento.
Ewa Procter
ewaprocter@uol.com.br
Os autores, cada um com uma peça publicada neste livro, são Lula Basto, Daltro Ribeiro, Ewa Procter, Raimundo Alberto, Ricardo Meirelles, Hersch Basbaum, Maria Helena Kuhner e Sérgio Fonta.
O lançamento será na Livraria Mário de Andrade à Rua da Imprensa - Palácio Capanema, Centro, Rio de Janeiro, a partir das 18:00 horas. A publicação foi feita com o apoio da FUNARTE.
Na mesma ocasião, será lançado o livro da Escolinha de Arte do Brasil, dirigida por Orlando Miranda.
Esperamos contar com a sua presença neste evento.
Ewa Procter
ewaprocter@uol.com.br
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
TEATRO / Livros
Livros de Jota Dangelo e Pedro Paulo Cava contam a trajetória do teatro mineiro a partir dos anos 1950
Dupla assinou montagens que fizeram sucesso nos palcos do estado
LINK (íntegra da entrevista, copie e cole no navegador):http://www.new.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_11/2010/02/01/ficha_teatro/id_sessao=11&id_noticia=20318/ficha_teatro.shtml
Dupla assinou montagens que fizeram sucesso nos palcos do estado
LINK (íntegra da entrevista, copie e cole no navegador):http://www.new.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_11/2010/02/01/ficha_teatro/id_sessao=11&id_noticia=20318/ficha_teatro.shtml
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Luigi Pirandello desmontado em livro
A paixão que mudou os rumos do teatro

Sem a atriz Marta Abba não existiriam peças como Os Gigantes da Montanha
Antonio Gonçalves Filho (Estadão)
AUTÓGRAFO - Foto oferecida por Pirandello ao Estado em 1927, quando renegou o fascismo de MussoliniCom o livro sobre Marta Abba, da atriz e professora Martha Ribeiro, que traduziu e dirigiu Quando se É Alguém, texto de Pirandello encenado pela primeira vez no Brasil no ano passado, o catálogo de obras lançadas sobre o dramaturgo nos últimos dois anos cresce não só em tamanho. Ele ganha um ensaio que trata com profundidade da relação entre o autor e sua musa inspiradora, a atriz Marta Abba (1900-1988).
Ela provocou uma revolução não só na vida pessoal como na dramaturgia de Pirandello. Foi depois que se conheceram, em 1925, que ele escreveu a peça Diana e Tuda (Diana e la Tuda) - coincidentemente, o mesmo ano em que teve sua primeira encenação no Brasil com a montagem de Assim É se lhe Parece por Jayme Costa (1897-1967).Foi também por essa época que o teatro de Pirandello mudou radicalmente, ele que já havia provocado escândalos memoráveis - como o da estreia de Seis Personagens à Procura de Um Autor, em 1921, quando o público pediu que internassem o autor num manicômio.
Apaixonado por Marta Abba, ele escreveu para a atriz - transferindo características suas para os personagens - peças que os críticos resolveram esnobar como "decadentes". Elas só foram recuperadas nos anos 1960, segundo a autora do livro, mas algumas tiveram de esperar até os anos 1980 para serem reavaliadas, entre elas a citada Diana e Tuda, A Amiga das Mulheres, Encontrar-se, Quando se É Alguém e Como me Quiseres.
A explicação que a professora Martha Ribeiro dá para esse quase desprezo crítico está relacionada a uma mudança de foco: Pirandello teria se afastado da "primitiva inspiração, a de poeta da condição trágica da sociedade burguesa", para experimentar "evasões surrealistas, fugas ao irracional, na crença de uma existência superior". Os críticos desaprovaram.
Preferiam as peças da segunda fase de sua dramaturgia, que começa em 1917 com Assim É se lhe Parece, e vai até 1924, antes de Marta Abba. A autora do livro, por sua vez, resiste em dividir o autor por fases, mas concede especial importância às metáforas e aos arquétipos pessoais do último período de vida de Pirandello, o da paixão de Marta Abba, sem a qual esse teatro não existiria.
Ruiva, jovem, sensual, Marta Abba entrou no mundo de Pirandello na primavera de 1925, interpretando o papel da Enteada em Seis Personagens à Procura de Um Autor. Um ano depois, já era a diva, a santa, a heroína absoluta do dramaturgo.
Em 1926, ele concebeu sua primeira peça pensada exclusivamente para o estilo de interpretação da atriz, descrito por críticos como o de uma fera enjaulada que, acossada, pulava em frente ao antagonista e, passando a mão na longa cabeleira ruiva, deixava os espectadores sobressaltados. Esses mesmos críticos observam que hoje, depois dos cabelos cuidadosamente despenteados de Marilyn Monroe, qualquer atriz faz isso, mas, na época de Marta Abba, era absolutamente impensável.
Marta Abba não dava importância para academias de arte dramática, conta a autora no livro. Achava que ator já nasce ator, não se torna ator. E Marta, ainda por cima, era do tipo que pensava. Não ia atrás da memória emocional, ou seja, não teria jamais seguido o método de interpretação sistematizado pelo russo Stanislavski.
De personalidade forte, adaptou o teatro pirandelliano ao seu temperamento. Pirandello se derretia, mas, entre a santa e a prostituta, preferiu endeusá-la, colocando Marta num pedestal inalcançável - principalmente por se considerar velho demais para ela, sublimando, portanto, sua pulsão sexual.
Consolou-se com o papel de pai espiritual, embora com vocação incestuosa.De Diana e Tuda a Os Gigantes da Montanha, garante a autora do livro, toda a dramaturgia de Pirandello é "construída sob o signo da atriz". Essas personagens ruivas e contraditórias, segundo Martha Ribeiro, "filtram a parte proibida e inconfessável das pulsões de Pirandello sobre Abba".
Esta seria bastante reservada em relação aos desejos do dramaturgo, conclui, comparando a passagem suprimida de uma carta de Pirandello, enviada de Berlim, em 1929, com a citação distorcida da correspondência numa entrevista concedida pela atriz em 1966. Em síntese, o que Pirandello diz na carta é que gostaria de se vingar de toda a castidade que o afastara de Marta Abba. Pirandello queria que ela renunciasse à sexualidade, entregando-se de corpo e alma ao teatro. "
A única saída para viver esse amor seria transformar a própria Marta em imagem", conclui a autora. Ou em personagem, considerando que o Nobel foi o arauto de uma revolução cultural que pretendia subverter todas as teorias sobre a arte de atuar. Para Pirandello, o ator deveria se livrar da bagagem pessoal, ser possuído pelo personagem, conhecê-lo numa visão epifânica. Daí que o naturalismo não tinha a mínima chance em seu teatro.
Seus personagens são seres sujeitos a forças sobrenaturais dentro de uma narrativa propositalmente assimétrica, em que a pessoa real perde para a inventada. "O personagem pirandelliano só aparece quando se abre uma fratura entre a vida íntima e um código social", observa Mario Baratto, estudioso de sua obra.
E ela aparece logo na primeira peça que Pirandello escreveu para Marta. Em Diana e Tuda, ela fez a última, uma jovem que se oferece a um velho escultor sem saber se é por piedade ou masoquismo. Marta nem chegou a enfrentar o dilema. Manteve Pirandello distante. Trecho"Os papéis femininos do último teatro de Pirandello, concebidos sob a constelação de Marta, submetem-se, de fato, à "fascinação paterna"", dirá Ivan Pupo.
A impossibilidade de se libertar deste sentimento paterno impede que os personagens pirandellianos, dominados pelo fantasma do incesto, desenvolvam uma sexualidade satisfatória.
Ainda segundo Pupo, o escritor impõe aos personagens idealizados para a atriz uma única e terrível escolha: ou do "pai" ou de mais ninguém; mas como o amor incestuoso é condenado pelo autor, aos personagens femininos só resta a solidão ou a apatia sexual. Este é o preço a se pagar pela impossibilidade da libertação do Eros.
A vamp-virtuosa no corpo de Marta Abba, esta mulher que não se pode ter, nunca terá uma sexualidade satisfatória ou plenamente desenvolvida, ela será distante e fria, ou mesmo frígida, como foi Donata em Trovarsi; ou casta e virgem, como foi Marta de L"amica degli Mogli, ou submissa a um senhor de idade avançada que a rejeita, como Tuda ou Veroccia. E Marta Abba?
Estante
Entre os livros lançados nos últimos dois anos sobre o dramaturgo destaca-se 40 Novelas de Luigi Pirandello (Companhia das Letras). Ainda estão em catálogo: Uma Jornada (Berlendis & Vertecchia), Vestir Os Nus (Civilização Brasileira), O Marido de Minha Mulher (Odisseia), O Falecido Mattia Pascal (Nova Alexandria) e O Enxerto, O Homem, a Besta e a Virtude (Edusp).
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Sem a atriz Marta Abba não existiriam peças como Os Gigantes da Montanha
Antonio Gonçalves Filho (Estadão)
AUTÓGRAFO - Foto oferecida por Pirandello ao Estado em 1927, quando renegou o fascismo de MussoliniCom o livro sobre Marta Abba, da atriz e professora Martha Ribeiro, que traduziu e dirigiu Quando se É Alguém, texto de Pirandello encenado pela primeira vez no Brasil no ano passado, o catálogo de obras lançadas sobre o dramaturgo nos últimos dois anos cresce não só em tamanho. Ele ganha um ensaio que trata com profundidade da relação entre o autor e sua musa inspiradora, a atriz Marta Abba (1900-1988).
Ela provocou uma revolução não só na vida pessoal como na dramaturgia de Pirandello. Foi depois que se conheceram, em 1925, que ele escreveu a peça Diana e Tuda (Diana e la Tuda) - coincidentemente, o mesmo ano em que teve sua primeira encenação no Brasil com a montagem de Assim É se lhe Parece por Jayme Costa (1897-1967).Foi também por essa época que o teatro de Pirandello mudou radicalmente, ele que já havia provocado escândalos memoráveis - como o da estreia de Seis Personagens à Procura de Um Autor, em 1921, quando o público pediu que internassem o autor num manicômio.
Apaixonado por Marta Abba, ele escreveu para a atriz - transferindo características suas para os personagens - peças que os críticos resolveram esnobar como "decadentes". Elas só foram recuperadas nos anos 1960, segundo a autora do livro, mas algumas tiveram de esperar até os anos 1980 para serem reavaliadas, entre elas a citada Diana e Tuda, A Amiga das Mulheres, Encontrar-se, Quando se É Alguém e Como me Quiseres.
A explicação que a professora Martha Ribeiro dá para esse quase desprezo crítico está relacionada a uma mudança de foco: Pirandello teria se afastado da "primitiva inspiração, a de poeta da condição trágica da sociedade burguesa", para experimentar "evasões surrealistas, fugas ao irracional, na crença de uma existência superior". Os críticos desaprovaram.
Preferiam as peças da segunda fase de sua dramaturgia, que começa em 1917 com Assim É se lhe Parece, e vai até 1924, antes de Marta Abba. A autora do livro, por sua vez, resiste em dividir o autor por fases, mas concede especial importância às metáforas e aos arquétipos pessoais do último período de vida de Pirandello, o da paixão de Marta Abba, sem a qual esse teatro não existiria.
Ruiva, jovem, sensual, Marta Abba entrou no mundo de Pirandello na primavera de 1925, interpretando o papel da Enteada em Seis Personagens à Procura de Um Autor. Um ano depois, já era a diva, a santa, a heroína absoluta do dramaturgo.
Em 1926, ele concebeu sua primeira peça pensada exclusivamente para o estilo de interpretação da atriz, descrito por críticos como o de uma fera enjaulada que, acossada, pulava em frente ao antagonista e, passando a mão na longa cabeleira ruiva, deixava os espectadores sobressaltados. Esses mesmos críticos observam que hoje, depois dos cabelos cuidadosamente despenteados de Marilyn Monroe, qualquer atriz faz isso, mas, na época de Marta Abba, era absolutamente impensável.
Marta Abba não dava importância para academias de arte dramática, conta a autora no livro. Achava que ator já nasce ator, não se torna ator. E Marta, ainda por cima, era do tipo que pensava. Não ia atrás da memória emocional, ou seja, não teria jamais seguido o método de interpretação sistematizado pelo russo Stanislavski.
De personalidade forte, adaptou o teatro pirandelliano ao seu temperamento. Pirandello se derretia, mas, entre a santa e a prostituta, preferiu endeusá-la, colocando Marta num pedestal inalcançável - principalmente por se considerar velho demais para ela, sublimando, portanto, sua pulsão sexual.
Consolou-se com o papel de pai espiritual, embora com vocação incestuosa.De Diana e Tuda a Os Gigantes da Montanha, garante a autora do livro, toda a dramaturgia de Pirandello é "construída sob o signo da atriz". Essas personagens ruivas e contraditórias, segundo Martha Ribeiro, "filtram a parte proibida e inconfessável das pulsões de Pirandello sobre Abba".
Esta seria bastante reservada em relação aos desejos do dramaturgo, conclui, comparando a passagem suprimida de uma carta de Pirandello, enviada de Berlim, em 1929, com a citação distorcida da correspondência numa entrevista concedida pela atriz em 1966. Em síntese, o que Pirandello diz na carta é que gostaria de se vingar de toda a castidade que o afastara de Marta Abba. Pirandello queria que ela renunciasse à sexualidade, entregando-se de corpo e alma ao teatro. "
A única saída para viver esse amor seria transformar a própria Marta em imagem", conclui a autora. Ou em personagem, considerando que o Nobel foi o arauto de uma revolução cultural que pretendia subverter todas as teorias sobre a arte de atuar. Para Pirandello, o ator deveria se livrar da bagagem pessoal, ser possuído pelo personagem, conhecê-lo numa visão epifânica. Daí que o naturalismo não tinha a mínima chance em seu teatro.
Seus personagens são seres sujeitos a forças sobrenaturais dentro de uma narrativa propositalmente assimétrica, em que a pessoa real perde para a inventada. "O personagem pirandelliano só aparece quando se abre uma fratura entre a vida íntima e um código social", observa Mario Baratto, estudioso de sua obra.
E ela aparece logo na primeira peça que Pirandello escreveu para Marta. Em Diana e Tuda, ela fez a última, uma jovem que se oferece a um velho escultor sem saber se é por piedade ou masoquismo. Marta nem chegou a enfrentar o dilema. Manteve Pirandello distante. Trecho"Os papéis femininos do último teatro de Pirandello, concebidos sob a constelação de Marta, submetem-se, de fato, à "fascinação paterna"", dirá Ivan Pupo.
A impossibilidade de se libertar deste sentimento paterno impede que os personagens pirandellianos, dominados pelo fantasma do incesto, desenvolvam uma sexualidade satisfatória.
Ainda segundo Pupo, o escritor impõe aos personagens idealizados para a atriz uma única e terrível escolha: ou do "pai" ou de mais ninguém; mas como o amor incestuoso é condenado pelo autor, aos personagens femininos só resta a solidão ou a apatia sexual. Este é o preço a se pagar pela impossibilidade da libertação do Eros.
A vamp-virtuosa no corpo de Marta Abba, esta mulher que não se pode ter, nunca terá uma sexualidade satisfatória ou plenamente desenvolvida, ela será distante e fria, ou mesmo frígida, como foi Donata em Trovarsi; ou casta e virgem, como foi Marta de L"amica degli Mogli, ou submissa a um senhor de idade avançada que a rejeita, como Tuda ou Veroccia. E Marta Abba?
Estante
Entre os livros lançados nos últimos dois anos sobre o dramaturgo destaca-se 40 Novelas de Luigi Pirandello (Companhia das Letras). Ainda estão em catálogo: Uma Jornada (Berlendis & Vertecchia), Vestir Os Nus (Civilização Brasileira), O Marido de Minha Mulher (Odisseia), O Falecido Mattia Pascal (Nova Alexandria) e O Enxerto, O Homem, a Besta e a Virtude (Edusp).
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